Esso e Mobil querem ampliar participação em distribuição de derivados
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2000
Por Irany Tereza 
Rio, 17 (AE) - A Esso e a Mobil, que estão operando juntas no Brasil desde 1º de dezembro, com a formalização da fusão internacional das duas empresas - um negócio que movimentou US$ 82,2 bilhões - têm planos, a curto prazo, de abocanhar uma parcela mais generosa no setor de distribuição de derivados. Atualmente, a Esso é a quarta no ranking das distribuidoras de combustíveis, atrás, pela ordem, da BR (Petrobras), Ipiranga e Shell. A Mobil é uma das líderes no mercado de lubrificantes.
A médio e longo prazos, a holding deve ampliar sua presença também em exploração e produção de petróleo. Antes da fusão, as duas empresas participavam separadamente de consórcios em oito áreas de exploração, adquiridas na licitação da Agência Nacional do Petróleo ou em parcerias com a Petrobras. "A operação nestas áreas já está sendo feita de maneira conjunta", diz Ricardo Gehrke, que acaba de assumir a presidência da Esso Brasileira. "A idéia é que dentro de dois anos esteja concluído o processo da holding brasileira."
Subsidiária controlada integralmente pela Exxon-Mobil, com sede em Dallas e ações negociadas na Bolsa de Nova York, a empresa continuará como companhia limitada no País, com o capital fechado à participação de terceiros. A idéia, segundo Gehrke, é facilitar a adoção das orientação dadas pela holding mundial, resultante da união das duas maiores empresas petrolíferas norte-americanas. A princípio, a prioridade brasileira continuará sendo combustíveis, setor no qual foram investidos anualmente R$ 200 milhões de 1997 a 99.
"A fusão Exxon-Mobil no Brasil não é tão igual à de outros países", diz Gehrke, explicando que aqui os segmentos de operação das duas empresas eram complementares. A Esso, com participação grande em distribuição de combustíveis, e a Mobil, específica em lubrificantes.
"Na Colômbia, por exemplo, as duas eram do mesmo tamanho e operavam nos mesmos segmentos, o que fez com que o impacto da fusão fosse muito maior." O executivo não descarta a possibilidade de a empresa participar, em parceria, de operações de refino com a Petrobras, mas diz que tudo irá depender das condições dos eventuais acordos. Ele praticamente afastou, contudo, a entrada da Esso em novas refinarias. "É um investimento muito alto e há, no mundo inteiro, problemas de rentabilidade nas refinarias, com o excesso de oferta de produto", argumentou.
Esso e Mobil podem entrar na disputa de novas áreas de petróleo no leilão que será feito neste semestre pela ANP, mas ainda estão em fase de avaliação das ofertas. A empresa opera hoje três blocos na bacia de Foz do Amazonas, duas no Espírito Santo, uma em Santos, uma em Campos e uma em Pelotas.
Única das grandes distribuidoras a brigar na Justiça contra o pagamento da Contribuição sobre o Finsocial, a Esso ganhou, em dezembro de 98, sentença favorável à isenção do tributo. A decisão está sendo contestada judicialmente pelo Ministério Público Federal e a empresa está depositando em juízo o valor do imposto. Com alíquota de 3% sobre o faturamento das empresas, o recolhimento da Cofins pela Esso teria rendido, no ano passado, algo em torno de R$ 144 milhões, já que o faturamento da empresa foi de R$ 4,8 bilhões.


