Montevidéu, 30 (AE-AP) O grande número de indecisos (cerca de 250 mil) e a pouca eficiência dos institutos de pesquisa uruguaios em eleições anteriores são fatores que tornam ainda mais difíceis os prognósticos para as eleições deste domingo (31) no Uruguai, uma das mais acirradas da história do país.
Todas as sondagens apontam o socialista Tabaré Vázquez, da Frente Ampla-Encontro Progressista, como favorito. Entre 8 e 10 pontos porcentuais atrás, praticamente empatados, surgem o candidato governista, Jorge Batlle, do Partido Colorado, e o ex-presidente Luis Alberto Lacalle, do Partido Nacional (ou Blanco).
Mais atrás, com chances nulas de chegar ao segundo turno
vêm o dissidente da Frente Ampla Rafael Michelini, pelo Novo Espaço, e o ultradireitista Luis Pieri, da União Cívica. O segundo turno, que, de acordo com as pesquisas parece inevitável
está marcado para 28 de novembro.
Batlle diz não crer nas sondagens de opinião pública argumentando que elas erraram em 1994, quando apontavam a Frente Ampla como vencedora das eleições presidencias enquanto o candidato colorado Julio María Sanguinetti triunfava nas urnas. Lacalle lembra o fracasso dos institutos de pesquisa que previram a derrota dele durante as primárias do Partido Blanco, em abril.
Além da presidência da república, a eleição definirá também a formação do Congresso, composto por 99 deputados e 31 senadores (o vice-presidente eleito terá uma cadeira no Senado). Caso o equilíbrio de votos previsto pelas pesquisas se confirme, o próximo presidente uruguaio pode ter sérios problemas para governar se não tiver habilidade para negociar com outros partidos.
Representantes dos dois partidos que se alternam no poder desde que o Uruguai se tornou independente, em 1828, Batlle e Lacalle adotaram nos últimos dias de campanha a estratégia de associar Tabaré Vázquez ao "perigo comunista". Fundada no fim dos anos 80 com a finalidade de quebrar a hegemonia de colorados e blancos, a Frente Ampla agrupa pequenos movimentos marxistas, maoístas, trotskistas, ex-guerrilheiros tupamaros e católicos adeptos da Teologia da Libertação.
Buscando quebrar a histórica resistência do interior do país à esquerda, contudo, Tabaré Vázquez fez campanha ressaltando que seu programa de governo "não é socialista". Essa afirmação fez com que ele fosse criticado por alguns partidários.
Tabaré Vázquez compensa seu mau desempenho eleitoral no interior do país com a boa performance na capital, Montevidéu, da qual foi prefeito entre 1990 e 1995. Muitos analistas políticos, no entanto, consideram que as eleições uruguaias são sempre decididas no "Uruguai profundo", como são conhecidas as áreas rurais e cidades com menos de 10 mil habitantes do interior do país, onde blancos e colorados mantêm fiéis currais eleitorais.
Entre vagas promessas de cunho populista, Tabaré Vázquez propõe uma política econômica não menos vaga, que qualifica de "mudança à uruguaia", baseada em "mais intervenção estatal na atividade econômica". O objetivo seria "o aumento da demanda interna a curto prazo e das exportações, a longo prazo".
O esquerdista promete também criar 150 mil postos de trabalho em cinco anos, aumentar o orçamento da Educação ao equivalente a 4,5% do Produto Interno Bruto e atrair investimento interno baixando o custo da mão-de-obra sem afetar o poder aquisitivo dos trabalhadores.
Já Batlle diz ter como principal meta a manutenção dos baixos índices de inflação (não deve superar 5% este ano). Também promete não mexer na atual política monetária, e reduzir o déficit fiscal.

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