Esquerdas se unem, mas Aznar é favorito Do enviado especial Reali Júnior
Madri, 10 (AE) - A campanha política para as eleições gerais na Espanha chegou ao fim nesta sexta-feira (10), despontando o Partido Popular (PP), do primeiro ministro José María Aznar, como o mais provável vencedor.
Isso apesar de o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) ter-se unido, pela primeira vez mediante um pacto eleitoral e de governo, à Esquerda Unida (IU) - partido que abriga os antigos comunistas espanhóis.
O acordo não foi suficiente, ao que parece, para recuperar o atraso dos socialistas em relação ao partido de centro direita de Aznar, que lidera as pesquisas de opinião com uma vantagem de quatro pontos porcentuais sobre o PSOE.
Na França, a união das esquerdas (socialistas e comunistas) também não parece ter alcançado o objetivo esperado em consequência das grandes divergências que separam os dois grupos políticos, principalmente nas áreas econômica e social.
Hoje, o PSOE e a IU não conseguiram promover um comício comum no encerramento de suas respectivas campanhas eleitorais. Para compensar a dificuldade, os dois principais dirigentes, Joaquín Almunia, pelos socialistas, e Francisco Frutos, pelos comunistas
participaram de um encontro com a imprensa, sem responder a perguntas, só para fazer declarações de unidade.
E também sobre a irreversibilidade do acordo que, segundo eles
não se limita à campanha eleitoral. Vale, sobretudo, para a constituição do futuro governo em caso de vitória com um gabinete integrado de representantes das duas correntes.
Segundo Frutos, o pacto firmado pelos dois partidos é muito importante e "serve para ganhar e governar". Ele preconizou a mobilização de toda a esquerda espanhola, da mais moderada à mais radical, lembrando que os partidários dos grupos conservadores já estão mobilizados. À noite os dois partidos realizaram comícios em separado.
Por sua vez, o primeiro-ministro Aznar fez comícios em Valladolid e Madri, reafirmando as teses de seus pronunciamentos anteriores. Pediu a confiança da população para continuar sua política - cujo principal objetivo agora é obter o pleno emprego.
O primeiro-ministro espanhol classificou como "ambicioso" seu programa: governar para construir uma sociedade mais aberta. Lembrou que é preciso renovar o impulso anterior, advertindo que a Espanha moderna e criativa não pode mais olhar para trás - uma alusão aos escândalos financeiros ocorridos no final da administração socialista.
O ex-primeiro ministro Felipe González participou ativamente desse final de campanha, mas sua ação foi mais regional, na Andaluzia, onde ainda mantém uma forte influência.
González passou para a segunda linha por vontade própria, adotando uma posição politicamente mais pedagógica - sua atual paixão.
A partir de amanhã, um esquema de segurança especial estará vigorando em Madri e no País Basco, principalmente em cidades como Bilbao, San Sebastián e Vitória.
Cerca de 9.000 policiais serão mobilizados nas próximas horas na capital e outros 5.000 no País Basco para evitar ataques da organização extremista Pátria Basca e Liberdade (ETA), que rompeu uma trégua unilateral de 14 meses e retomou uma campanha de violência.
O grupo reivindicou a autoria de dois atentados com carro-bomba, um em janeiro e outro em fevereiro, que causou a morte de três pessoas. O ETA pediu aos bascos que boicotem as eleições.





