Brasília, 27 (AE) - Segundo a avaliação do líder da bancada do PC do B, deputado Aldo Rebelo (SP), é irrelevante o debate sobre quantos milhares de pessoas compareceram à Marcha dos 100 Mil, realizada ontem, em Brasília. O importante para ele é a convicção, entre os promotores do comício, de que os partidos da Frente de Esquerda sairam fortalecidos do episódio por terem mostrado "competência e capacidade de mobilizar" a multidão que participou da marcha ao longo do dia. O que o líder comunista quer dizer com essas conclusões é que o primeiro objetivo estratégico do campo da esquerda foi alcançado ao dar partida, com uma grande demonstração, a uma campanha política destinada a ter impacto nas eleições municipais do próximo ano e na corrida presidencial de 2002.
Ele julga também irrelevante a discussão sobre palavras de ordem, que determinou o recuo tático da direção nacional petista em relação ao slogan "Fora FHC" e a posição divergente assumida por Leonel Brizola (PDT) ao se recusar a compor a comitiva que pediu ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB), a abertura da CPI da Telebrás e de processo de impeachment do presidente da República. "Para a massa", observa Rebelo, "esse debate não tem significado".
A esmagadora maioria das pessoas que desembarcou na Esplanada dos Ministérios estava, de fato, mobilizada pela palavra de ordem "Fora FHC". Isso não significa, porém, que estivessem espontaneamente mobilizadas, mas sim que se sujeitaram a uma viagem cansativa até o Planalto Central porque são militantes de uma causa, seja ela a do sindicato, do partido ou ainda da facção de partido a que pertencem. Não eram eleitores pagos e alienados, mas ativistas profissionais da CUT e de partidos especializados no treinamento de quadros, cuja unidade se realiza na idéia da conquista do poder.

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