Esquerda perde a presidência do Parlamento Europeu Do correspondente Reali Júnior
Paris, 20 (AE-AP) - Uma francesa de direita, Nicole Fontaine, sucede um espanhol de esquerda, o socialista Enrique Baron Crespo, na presidência do Parlamento Europeu. Nicole Fontaine, representante do partido majoritário, PPE, Partido Popular Europeu, foi eleita hoje para a presidência do Parlamento de Estrasburgo , tendo obtido 306 votos de um total de 555 válidos. A eleição de uma segunda mulher para a presidência da Assembléia (a primeira era também francesa, Simone Veil, há vinte anos), foi a consequência natural da derrota do conjunto das forças de esquerda européias, socialistas, sociais-democratas, verdes e comunistas, no pleito de junho último, quando o grupo de centro-direita, formado pelos democratas-cristãos, centristas e liberais conseguiu obter maioria de um total de 626 deputados europeus.
Nicole Fontaine que promete que daqui para frente "nada será como antes", é uma parlamentar do grupo UDF, tendo sido vice-presidente da Assembléia de Estrasburgo, onde é deputada há quinze anos. Sua vitória tornou-se inevitável pelo apoio recebido dos 50 deputados liberais do EDLR. Para obtê-lo , Nicole Fontaine assumiu o compromisso de renunciar na metade do mandato, devendo apoiar a candidatura do liberal irlandês, Pat Cox. Dessa forma foi rompido o consenso existente entre a direita e a esquerda nessa casa legislativa, na qual tradicionalmente dividiam os postos de responsabilidade e constituíam fortes maiorias, quando dos votos mais importantes do Parlamento. Os dois grandes grupos, PSE e PPE, se alternavam na presidência do Parlamento.
Sua eleição foi também facilitada pela dispersão de votos à esquerda, o que contribuiu para condenar, definitivamente, a candidatura do socialista português, o ex- presidente Mario Soares.
Ele havia encabeçado a lista de candidatos socialistas em Portugal imaginando uma vitória dos socialistas na Europa governada por uma forte maioria social-democrata, o que viabilizaria sua candidatura à presidência da assembléia européia. Soares abandonou sua aposentadoria política convencido que aos 75 anos de idade poderia ainda dirigir o Parlamento Europeu.
Antigo primeiro-ministro e presidente da República, depois de sua luta histórica para derrubada da ditadura salazarista, Mario Soares só conseguiu reunir alguns votos a mais dos da bancada socialista de 180 deputados europeus. Os parlamentares decidiram por Nicole Fontaine convencidos que seria um erro confiar a presidência ao mais idoso dos parlamentares que integra o grupo socialista, derrotado pelos eleitores europeus no mês de junho.
O resultado surpresa do pleito na Alemanha e Inglaterra, onde os partidos do alemão Gehard Schroder, o SPD, e do primeiro-ministro Tony Blair, Partido Trabalhista, foram fragosamente derrotados nas urnas, frustaram sua ambição. Dessa forma, o grande derrotado foi o socialista Mario Soares que obteve apenas 200 votos, quando a maioria necessária para a eleição era de 278 votos. Dessa forma, sua condição no Parlamento de Estrasburgo será de simples deputado europeu , um revés não esperado, cujas consequências serão mais negativas no plano interno, atingindo, a médio prazo, os socialistas portugueses, atualmente no poder. Quanto aos verdes europeus, que lançaram candidato próprio, a finlandesa Heidi Hautala, estimulados por Daniel Cohen Bendit, só reuniram 49 votos.





