Esquerda do PT do Rio redige texto criticando governo pedetista
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domingo, 21 de março de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 22 (AE) - Um documento elaborado no fim de semana ameaça reascender no PT do Rio a briga entre os moderados da Articulação e os radicais dos grupos de esquerda, pelo controle da seção fluminense da legenda, dividida entre a participação e a oposição ao governo de Anthony Garotinho (PDT). No texto, intitulado "Organizar O Partido Para Derrotar FHC", a esquerda faz duras críticas ao governo do pedetista, considerado convencional e muito parecido com os dos antecessores, e ataca a direção nacional do partido, pelo suposto imobilismo frente à crise econômica.
Os grupos Refazendo, Tendência Movimento, Corrente Socialista dos Trabalhadores, Movimento Por Uma Tendência Proletária, Grupo Che Vive e Coletivo do Mandato Hélio Luz, que se identificam como "petistas vitoriosos na última convenção estadual", elaboraram o texto após seminário no sábado (20). No documento, os militantes ressaltam que estiveram ausentes do centro da disputa política do Estado em razão da intervenção "externa e autoritária que se abateu sobre o PT-RJ" em 1998, quando a candidatura a governador do ex-deputado Vladimir Palmeira, ligado à esquerda, foi cassada pela cúpula nacional, que impôs o apoio ao PDT.
Segundo o texto, o governo Garotinho é "convencional, dito popular, mas (...) na essência não muito diferente de alguns outros" que passaram pelo Estado e contra os quais os petistas fizeram oposição.
"Se existem algumas ondas de mudança, existe um mar de continuidade", critica a esquerda no texto. "Um governo de esquerda, (...) precisa promover mudanças profundas no Estado, democratizando radicalmente o poder e abrindo canais de participação direta da cidadania; invertendo realmente as prioridades orçamentárias (...); fazer o contraponto nacional ao projeto neoliberal (...)", afirma o documento.
"É o governo eleito pela oposição mais bem comportado, com uma linha direta com o Palácio do Planalto, e nossos secretários estão meio perdidos", disse o deputado estadual Chico Alencar (RJ), do Refazendo, que participou do seminário.
Ante a radicalização da reunião, ele desistiu de apresentar a proposta de convocar uma plenária dos secretários do PT com militantes do partido.
A esquerda fluminense também critica no texto o presidente de honra do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, e a cúpula partidária. "Ao invés de assistir pela TV a ida de Lula ao Palácio da Alvorada para tomar café com FHC em caráter particular, a direção nacional do PT deveria iniciar uma agenda de mobilizações, utilizando a liderança popular do Lula, os nossos governadores, prefeitos e parlamentares para, em conjunto com o movimento popular e os partidos de esquerda, organizar (...) uma ofensiva de massas contra o governo FHC, propondo o rompimento com o FMI (...)", ataca.


