O esquema de corrupção na Administração Regional da Penha veio à tona no dia 18 de janeiro, na esteira de denúncias referentes à regional de Pinheiros. Três fiscais foram presos e nove funcionários, afastados da regional. No dia 21 de fevereiro, o ex-fiscal Clóvis Feitosa de Araújo sofreu um atentado, o que só reforçou as suspeitas de um esquema armado na regional.
Nos depoimentos ouvidos pela polícia até agora, dois dos três ex-fiscais e um ex-supervisor e ex-regional delataram a corrupção. Detalhes foram revelados pela namorada e assessora de Viscome, Tânia de Paula. Eles explicaram que havia cobrança de propina de comerciantes, ambulantes, proprietários de imóveis irregulares e da concessionária que coleta o lixo na região, a Enterpa.
Na terça-feira, o ex-funcionário da regional Sílvio Rocha contou que empresas que faziam serviços menores por meio de cartas-convite (pequenas licitações) também pagavam uma porcentagem à regional.
A principal fonte de propina vinha da Enterpa (até R$ 288 mil por ano), que, segundo um diretor, era coagida a pagar para que as planilhas de coleta de lixo fossem aprovadas pela regional. A empresa pagava de propina 2% do valor do contrato com a Prefeitura para a Penha, de R$ 1,2 milhão, ao ex-supervisor de Serviços e Obras Públicas e ex-regional Pedro Antônio Saul. Da arrecadação mensal de R$ 24 mil, 50%, ou seja, cerca de R$ 12 mil, seguiam para Vicente Viscome; 20%, ou cerca de R$ 4,8 mil, para o administrador regional - Osvaldo Morgado e, em uma ocasião, para seu sucessor, Paulo Roberto Tirolli -; outros 20% para funcionários menores e 10%, ou R$ 2,4 mil, para o próprio Saul.
A propina extorquida de ambulantes, comerciantes e donos de imóveis irregulares era recolhida pelos ex-fiscais Milton Figueiredo da Silva, Clóvis Feitosa de Araújo e Fernando Garica Lepper. O dinheiro era repassado ao coronel da reserva Ivan Márcio Gitahy, que nega o esquema, e a Fernando Martins Capitão, foragido. Eles encaminhavam o dinheiro ao ex-administrador regional e supervisor Osvaldo Morgado. O dinheiro chegava às mãos do vereador Viscome por intermédio de Tânia de Paula.
A Araújo cabia descobrir imóveis em situação clandestina ou irregularidades administrativas. Ele encaminhava os interessados em fazer um ‘‘acerto’’ ao supervisor Osvaldo Morgado.

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