São Paulo, 10 (AE) - Tânia de Paula, assessora e namorada do vereador Vicente Viscome (PPB), disse hoje que o esquema de corrupção em torno das empresas de propaganda era único para todas as regionais. Principal testemunha no caso que investiga denúncias sobre a Administração Regional da Penha, Tânia esteve hoje à tarde no Instituto de Criminalística (IC) para conversar com os delegados que trabalham no caso e falou com jornalistas. Desde a madrugada de hoje, ela responde ao processo em liberdade e espera que Viscome se apresente o quanto antes. "Ele está sendo mal assessorado". Pergunta - De onde vinha o dinheiro distribuído na Penha? Tânia de Paula - Na minha fase, saiu da supervisão, onde estavam os fiscais, e de contratos com empresas. Pergunta - Quanto se faturava com as propagandas? Tânia - Em uma semana, no nosso bairro, que é pobre, R$ 400,00 ou R$ 500,00. Tem regional aí que rende muito. A nossa não rendia muito. Pergunta - Você conhece o esquema em outras regionais? Tânia - É um esquema só para todas as regionais. Um caixa único para cada regional. Pergunta - Alguém recebe de todas as regionais? Tânia - Nunca repassei para esse alguém, então, eu não sei. Pergunta - Você tem idéia de quem poderia ser a pessoa que coordenaria as regionais? Tânia - Prefiro não citar nomes porque seria deselegante da minha parte. A gente tem idéia, mas eu respondo por mim e não vou falar do que não vi. Pergunta - Administradores regionais sabem dos esquemas? Tânia - Eu não sei, mas acredito que sim. Porque como eu, que sou uma leiga, entrei e fui envolvida, imagine o administrador que entra e tem de assinar tudo. Pergunta - Você acha que o prefeito Celso Pitta (PPB) tem alguma responsabilidade nesse esquema das regionais? Tânia - Eu tenho responsabilidade porque eu comandava. Não é isso? Então, de repente, eu me tornei a "chefe da quadrilha". Então, eu acredito que todo mundo que comanda tem responsabilidade. Se eu comando, eu sei. Então, a partir do momento que você sabe, tem de tomar decisões. Pergunta - Quem facilitava dinheiro para vocês? Tânia - Tudo que se recebe em dinheiro, no meu caso, são pessoas de carreira da Prefeitura. Eu não posso assinar nada, eu sou uma assessora. Quem faz são os engenheiros, os administradores. Enfim, quem pode assinar. Pergunta - No caso do lixo, a propina ficava na regional, mas o contrato era feito pela Secretaria das Administrações Regionais... Tânia - Aí, eu não sei. Já é nível de secretaria. Pergunta - Você teme que Viscome sirva de escudo para outras pessoas? Tânia - Temo. Por isso, quero que ele venha, apresente-se. Pergunta - Para quem ele serviria de escudo? Tânia - Não sei. Quero que ele venha para ele falar. Pergunta - Você imaginava que ele fosse desaparecer? Tânia - Imaginava que ele viesse aqui (no IC). Acho que ele está sendo mal assessorado. Quem está do lado dele não deve estar dando as informações corretas: venha, fale, explique-se. Ele não está fazendo isso. Todo mundo tem o direito de defesa. Pergunta - Você poderia não ter entrado no esquema? Tânia - Não tem como. É uma coisa que envolve e, quando você vê, já faz parte.

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