Londrina - Após a desarticulação de um esquema de corrupção em Apucarana (Centro-Norte), que resultou na prisão do delegado chefe da 17ª Subdivisão Policial, Valdir Abrahão, dois policiais civis e um militar, na noite de terça-feira, a operação Jolly Roger ganhou um novo desdobramento.
Em entrevista coletiva ontem na sede do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foram revelados novos indícios de um grande sistema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Na quarta-feira, o Gaeco, em parceria com a Receita Federal, visitou 14 empresas de Apucarana e apreendeu documentos que indicam as supostas atividades ilícitas.
"Foram aprendidos diversos documentos com movimentação de faturamento de venda e compra de imóveis. Além disso, em algumas empresas verificamos o uso de diversos cheques de valores expressivos, utilizados como moeda corrente. Esses cheques só eram depositados posteriormente, em operações não de interesse da empresa e sim para a compra de imóveis", disse o delegado da Receita Federal em Londrina, Luiz Fernando Costa, sem quantificar valores.
A Receita Federal em parceria com o MP está apurando todos os indícios, mas Costa garante que haverá uma autuação em cima dos envolvidos, seja pessoa física ou jurídica. O promotor do Ministério Público (MP), Cláudio Esteves, definiu os fatos como "uma espécie de lavanderia de dinheiro", ao observar que a prática tem sido detectada em várias empresas.
"Há indicativos de acúmulo patrimonial muito elevado. Com um dos indivíduos investigados foram apreendidos contratos de aquisição de ao menos 40 imóveis e em uma empresa foram encontrados R$ 2 milhões em cheques que estavam para ser vencidos nos próximos dias. Estamos agora em uma fase sequencial da investigação, que se iniciou com a corrupção, mas que agora tem um desdobramento importante com relação à lavagem e eventual sonegação fiscal", ressaltou.
Ainda segundo o promotor, a ideia agora é ter um relato dos bens e imóveis adquiridos de forma ilícita "para pedirmos um sequestro dos mesmos, visando um futuro ressarcimento da sonegação fiscal praticada e eventual perda em virtude da lavagem de dinheiro que possa ser constatada".

Prisões preventivas
O promotor Cláudio Esteves comenta que a motivação das prisões preventivas é a "da garantia da ordem pública, da conveniência da instrução criminal e também da própria conveniência relativa à ordem econômica".
Em relação à prisão do delegado Valdir Abrahão, ele comenta que foi resultado das declarações de empresários prestadas ao MP. Durante a entrevista, Esteves revelou que um dos empresários afirmou que teria combinado com um policial que ele seria previamente avisado das fiscalizações em seu estabelecimento.
"Com isso, ele poderia retirar a tempo qualquer objeto ilícito que estivesse em seu poder. Outros detalhes estão sendo preservados para não atrapalhar a investigação", declarou.
Ao todo, 24 pessoas foram presas e foram cumpridos 46 mandados de busca e apreensão. Um suspeito, irmão do proprietário de três empresas em Apucarana, permanece foragido. Quanto ao cabo da Polícia Militar, detido na sede do 5º Batalhão, o promotor comenta que ele teria envolvimento nos fatos por prestar serviços a um dos empresários.
Para Esteves, resultado da ação mostra a importância do poder de investigação do Ministério Público, que pode ser barrado se a PEC 37 for aprovada. "A operação é um indicativo mais do que concreto que a PEC 37 seria absolutamente trágica em desfavor da apuração desses ilícitos que ocorrem neste momento. Tanto a corrupção policial quanto os indícios de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro estariam extremamente prejudicados, tendo em vista que o MP não poderia estar à frente da investigação, como foi o caso", comentou.
A Corregedoria Geral da Polícia Civil informou que irá aguardar o desenvolvimento das investigações do Ministério Público (MP) para tomar novas posições em relação à prisão do delegado Valdir Abrahão e de dois policiais civis.

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