Esquema desviou R$ 5,7 milhões de licitações da UTFPR de Cornélio Procópio, afirma PF
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terça-feira, 13 de março de 2018
Reportagem Local 
A Polícia Federal, o Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da União deflagraram nesta terça-feira (13) a Operação 14 Bis, que investiga a ligação entre empresários e servidores públicos para fraudar licitações da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal) de Cornélio Procópio (70 km de Londrina). A investigação, iniciada há dois anos, culminou na prisão de três funcionários da instituição de ensino, incluindo o ex-diretor-geral, e cinco pessoas da iniciativa privada. As detenções são temporárias e têm validade de cinco dias.

Outros 26 mandados de busca e apreensão foram cumpridos pelos policiais em Uraí, Nova América da Colina e Maringá. De acordo com o delegado-chefe da PF em Londrina, Nilson Antunes, o suposto grupo criminoso desviou R$ 5,7 milhões da universidade. As irregularidades consistiam no vencimento frequente das empresas investigadas em licitações lançadas pela UTFPR. Os serviços ofertados contemplavam a manutenção da estrutura do prédio do órgão, no sistema de ar-condicionado, nos veículos oficiais e fornecimento de materiais de construção.
"Eles direcionavam o curso final dos certames, facilitando para estes empresários. Estamos apurando a possível ligação dos acusados com outros órgãos federais de outros estados brasileiros, mas esta etapa ainda carece de mais fundamento processual para uma eventual divulgação. É um desdobramento da 14 Bis", informou Antunes.


Conforme a força-tarefa, 27 mil dólares, três lanchas e jóias, além "de veículos de alto valor", foram apreendidos. Em entrevista coletiva, o chefe da PF salientou que a prisão temporária "só foi solicitada nesta fase da investigação pela vasta documentação reunida ao longo do processo. Aguardamos o momento mais oportuno. Agora, vamos ouvir todos e colher mais detalhes do envolvimento deles", observou. A Justiça Federal determinou o bloqueio bancário e o sequestro dos bens dos presos.
Entre as irregularidades, estão a suspeita de obtenção de informação privilegiada, formação de grupo econômico, uso de documento potencialmente falso ou insuficiente para atesto de capacidade técnica, pagamentos superiores aos valores contratados, superfaturamento, sobrepreço, frustração de concorrência, suspeita de pagamento de materiais não recebidos ou desviados, entre outros. Os detidos permanecem na sede da Polícia Federal em Londrina.


