Esquema de roubo de carretas envolveu policiais do MG
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de outubro de 1999
Por Nelson Francisco (especial para a AE) 
Cuiabá, 18 (AE) - O esquema de roubo de carretas - do qual fariam parte o ex-deputado federal pelo Acre Hildebrando Pascoal
o deputado federal Augusto Farias (PPB-AL) e o deputado estadual José Gerardo (PTB-MA) - corrompeu policiais civis e militares de Mato Grosso entre os anos de 1993 e 1999. Com a propina, os veículos roubados em outras regiões do País transitavam livremente pelas rodovias do Estado até chegar à fronteira com a Bolívia. Lá eram trocados por cocaína e armas. Essas são as informações prestadas pelo motorista Jorge Meres, 37 anos, que denunciou o esquema.
Em entrevista ao Grupo Estado, Meres, que durante cinco anos participou do transporte dos veículos, explicou o funcionamento do esquema. Foi ele quem revelou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico e à PF a existência de uma quadrilha organizada com ramificações em 14 Estados brasileiros, entre eles o Mato Grosso. "Só eu passei 12 carretas", disse. "Nós comprávamos policiais", disse Meres informando que mais 12 motoristas faziam o mesmo serviço.
O crime, segundo o motorista, começava pelo empresário William Sozza, dono das empresas Doc Center e JRC Cigarros em Campinas (SP), e terminava com o traficante boliviano conhecido como Chichito, que vive em Puerto Suarez.
Sozza, segundo Meres, era quem comandava o roubo de carreta, especialmente em São Paulo. De posse do veículo roubado, acionava um de seus motoristas para levar o automóvel até a Bolívia. Em Puerto Soares, o traficante Chichito avaliava o carro e pagava o que considerava justo. "Se o pagamento fosse em cocaína, iria para Hildebrando", denuncia. "Se fosse em armas, para Augusto Farias", relata. Tanto Hildebrando Pascoal, que teve o mandato cassado, como Augusto Farias, negaram na CPI envolvimento no caso.
Meres - que está sob custódia da PF de Brasília - acusou o empresário Willian Sozza, com quem trabalhou durante cinco anos, de ser integrante do maior grupo organizado do narcotráfico no Brasil. Durante acareação na CPI, na semana passada, o empresário negou todas as acusações. "Eu quero que ele mostre documentos", disse Sozza.
O esquema de roubo de carretas passa também pelo Maranhão, onde mora o deputado estadual José Gerardo (PTB), denunciado por Meres como um dos quatro principais homens da quadrilha ao lado de Hildebrando Pascoal, Augusto Farias e William Sozza. Segundo o motorista relatou à CPI, José Gerardo era um dos beneficiados do esquema. Meres denunciou ainda que Gerardo foi quem tramou a morte do delegado Stênio Mendonça, em 1997. "Ele chegou perto de desvendar os crimes", lembrou o motorista.


