São Paulo, 12 (AE) - Pelo menos quatro vereadores podem estar participando do esquema de propinas e superfaturamento na venda de flores para enterros em São Paulo. A informação é do promotor José Carlos Blat, com base nos depoimentos de mais de dez pessoas ouvidos, em sigilo, pela polícia. Ele diz, entretanto, que ainda é cedo para citar nomes. Na tarde de hoje, duas equipes formadas por um delegado, dois promotores e seis policiais, cada uma, apreenderam documentação contábil de duas floriculturas e uma central de chamadas, integrantes do consórcio de 24 empresas que fornece flores para o Serviço Funerário da Prefeitura. O Ministério Público e a Polícia suspeitam que os papéis contenham provas de superfaturamento e cobrança de propinas. "Já temos outras provas materiais", comentou Blat.
Segundo Blat, os proprietários pagam cerca de 42% sobre o que ganham em taxas ou propinas. Desse total, 10% são previstos em contrato e destinam-se ao Serviço Funerário. Cerca de 5% são pagos à central de chamadas que seleciona os pedidos. Há suspeitas de que estaria embutido nesse porcentual uma parcela destinada a propinas para vereadores. Outros 15% seriam pagos a agenciadores, funcionários públicos que contratam os enterros. Outros 2,4%, de acordo com testemunhas, seriam destinados ao Tribunal de Contas. Segundo o promotor Blat, esses gastos seriam refletidos no preço final cobrados pelos 70 mil sepultamentos que ocorrem a cada ano na cidade.
O promotor Roberto Porto, que acompanhou a apreensão de documentos, disse que há indícios de que o crime esteja ocorrendo pelo menos desde a gestão passada. Os documentos deveriam chegar no começo da noite de hoje ao Instituto de Criminalística (IC), onde serão analisados a partir dos próximos dias. Surpresa - Foram visitas, de surpresa, as floriculturas Agrodora
na Barra Funda, uma filial da mesma empresa, no centro, Flor Exótica, também na região central e a central de chamadas Rei, contratada para organizar os pedidos e encaminhá-los as lojas. Só a equipe coordenada por Porto reuniu material suficiente para lotar dois porta-malas de carros. Além dos papéis, foi apreendido um cofre lacrado, na Floricultura Exótica. Não estavam no local o proprietário ou advogados que respondessem pela firma. A equipe de policiais e promotores esperou por mais de quatro horas, fez contatos telefônicos com o proprietário, mas só foi atendida apenas por funcionários.

mockup