O juízo da 6ª Vara Criminal de Londrina condenou na última sexta-feira o auditor da Receita Estadual em Londrina Luiz Antônio de Souza e a jovem Carla de Jesus no primeiro processo referente ao esquema de exploração sexual descoberto há oito meses em Londrina. Souza foi condenado a quatro anos de reclusão em regime semiaberto pelo crime de exploração e favorecimento à prostituição.
Em janeiro, ele foi flagrado com uma adolescente de 15 anos em um motel da cidade na prisão que revelou todo o esquema. O auditor que responde a outros dez processos no caso, inclusive por estupro de vulnerável – com vítimas menores de 14 anos - pagaria R$ 2,5 mil pelo programa. Carla de Jesus, irmã da vítima e acusada de aliciá-la, foi condenada a dois anos de reclusão em regime aberto e prestação de serviço à comunidade.
A promotora da 6ª Vara Criminal de Londrina, Susana Lacerda, adiantou que vai recorrer da sentença. Ela citou a Lei 12.978, do ano passado, que tornou a exploração sexual de criança crime hediondo. "Por se tratar de crime hediondo, a pena inicial tem de ser em regime fechado. Vamos recorrer", disse. Ela demonstrou preocupação com o descumprimento da delação premiada. "Se houver um descumprimento dos termos posteriormente, vai valer o que foi determinado pelas sentenças já proferidas", completou.
Durante a prisão, os policiais encontraram um revólver na casa de Souza e ele também foi condenado a um ano de detenção no semiaberto por posse irregular de arma de fogo. Souza continua preso na Penitenciária Estadual de Londrina 2 (PEL 2) pois além dos processos de crimes sexuais, também é réu na Operação Publicano, que investiga desvios na Receita Estadual.
O advogado do auditor, Eduardo Duarte Ferreira, informou que a defesa não concorda com a sentença, mas que não entrará com recurso pois implicaria nos termos da delação premiada. "Temos convicção que essa acusação seria revertida em tribunais superiores, mas ficamos impedidos pelos termos do acordo que serão respeitados", garantiu.
A promotora, que trabalha sozinha no caso há mais de dois meses após a transferência de outro promotor, encontra dificuldade no grande volume de trabalho referente à rede de prostituição. Na segunda-feira, o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) concluiu as investigações que renderam 39 inquéritos policiais. Ao todo, foram 33 pessoas indiciadas: nove aliciadoras e 24 contratantes.
Os nomes dos novos indiciados não foram revelados, segundo o delegado do Gaeco, Alan Flore, para não atrapalhar o andamento dos processos. Susana disse que começará a analisar os documentos nos próximos dias. Além de Souza, são réus nos processos outros dois auditores da receita, dois ex-vereadores, empresários, advogados e policiais e aliciadoras. No esquema que durou cerca de 12 anos, 32 vítimas foram identificadas.

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