O próximo passo é investigar os portadores dos documentos fraudulentos, que estariam cometendo o crime do uso de documento falso, informou o o delegado Rodrigo Souza, da Delegacia de Estelionato
O próximo passo é investigar os portadores dos documentos fraudulentos, que estariam cometendo o crime do uso de documento falso, informou o o delegado Rodrigo Souza, da Delegacia de Estelionato | Foto: Rafael Costa



Uma operação que investiga um esquema de emissão de carteiras de identidade com informações falsas por meio de postos conveniados do IIPR (Instituto de Identificação do Paraná) foi deflagrada nesta sexta-feira (7).

A ação, que envolve o próprio instituto, a Delegacia de Estelionato de Curitiba e o núcleo de Cascavel da DCCO (Divisão de Combate à Corrupção), foi tomada após a descoberta de dezenas de RGs produzidos a partir de certidões de nascimento falsas pelo setor de fraudes do IIPR.

Mais de 30 documentos foram emitidos por meio do posto de Rancho Alegre do Oeste, na região de Goioerê, e pelo menos 20 no de Cerro Azul, na Região Metropolitana de Curitiba. Embora tenham conteúdo falso, as carteiras são autênticas. Os registros já foram cancelados.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas residências e locais de trabalho de dois servidores destes municípios. Um deles estava lotado no posto de atendimento do Detran de Cerro Azul desde o início do ano, após a verificação de indícios da fraude pelo IIPR.

As carteiras de identidade era utilizadas para a obtenção de CPFs, que permitiam a abertura de PJs (pessoas jurídicas). A polícia acredita que as empresas eram utilizadas para aplicar golpes contra outras PJs. Um escritório de contabilidade responsável pela criação de três empresas com o uso dos documentos fraudulentos foi um dos alvos dos mandados de busca, cumprido pela DCCO de Maringá.

Foram apreendidos itens como telefones e computadores. A polícia solicitou quebra de sigilo bancário e telefônico dos suspeitos. Ninguém foi preso.

Os suspeitos foram identificados por meio da verificação das senhas utilizadas para inserir os dados falsos no sistema. A prática será investigada como peculato eletrônico. Eles também serão investigados por suspeita de corrupção passiva e associação criminosa.

Estão sob investigação mais de cem RGs emitidos pelo agente administrativo de Cerro Azul, que trabalhou por cerca de cinco anos no posto conveniado.

"Ele chegou ao ponto de usar polegares de crianças para fazer os RGs falsos", contou o delegado Rodrigo Souza, da Delegacia de Estelionato, em Curitiba.

A polícia ainda busca descobrir a extensão do esquema - que, além de possibilitar fraudes mercantis, poderia beneficiar pessoas com ficha criminal extensa ou mesmo foragidos.

"A investigação está só no início", disse Souza, que contou que a operação teve apoio do MPPR (Ministério Público do Paraná) por meio da Promotoria de Justiça de Cerro Azul. "Estamos cruzando todas as informações que foram passadas pelo IIPR para ver a extensão do golpe", explicou.

O próximo passo, segundo o delegado, é investigar os portadores dos documentos fraudulentos, que estariam cometendo o crime do uso de documento falso. "A operação vai se desmembrar", disse. "O próprio MPPR, por meio da promotoria de Cerro Azul, vai verificar se há envolvimento de algum outro servidor municipal ou de setores da prefeitura."

Por telefone, o delegado da DCCO, Rogerson Salgado, disse que as investigações continuam. "Esse é um trabalho que é uma demanda do próprio Instituto de Identificação exatamente para dar mais segurança ao documento do Paraná, hoje já considerado um dos melhores sistemas de segurança do Brasil", disse.

O delegado Rodrigo Souza lembrou que o esquema foi detectado pelo próprio IIPR, e ressaltou que o atual sistema do instituto permite a identificação imediata de atividade fraudulenta. Ele diz que a fraude em Cerro Azul só foi possível porque se tratava de um posto semi-informatizado - modelo que será alterado. "A partir de janeiro, o sistema não vai mais admitir essa fraude, porque todos os postos de identificação serão informatizados", disse.

Em Cascavel, o vice-diretor do IIPR, Mauricio Jorge Lopes, disse em coletiva de imprensa que as carteiras não saíram, porque as certidões de nascimento falsas foram identificadas.

"É importante demonstrar para a população que o documento de identidade do Estado do Paraná é um documento sério. E que tanto a comunidade como todo o sistema bancário e todos que utilizam o RG tenham tranquilidade em saber que, realmente, a fraude, dentro do Estado, está diminuindo cada vez mais. E, com os sistemas que o instituto, hoje, possui, a condição de se fazer uma carteira de identidade falsa cada vez mais diminui consideravelmente", disse, em coletiva de imprensa veiculada no site CGN.

A reportagem não obteve retorno da Secretaria de Estado de Segurança Pública até o fechamento desta edição.

A operação foi batizada de Vucetich, em referência a Juan Vucetich, o descobridor do sistema de impressões digitais.

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