Sabe o título daquele filme, ou o nome daquele ator, que no meio da conversa você esqueceu? E quando encontrou um conhecido na rua, e não lembrou o nome? Quem nunca faltou a um compromisso simplesmente porque esqueceu, que atire a primeira pedra. Estresse, ritmo de vida acelerado, falta de concentração e até dieta inadequada colaboram para problemas de memória. Jovens também são acometidos.
O neurologista Pedro Garcia Lopes, de Londrina, explica que nosso cérebro funciona como um disco rígido de computador - a informação chega, é gravada, e cada vez que você precisa, ela é acessada. A região do cérebro onde fica a memória é o córtex cerebral.
Segundo o médico, a falta de memória pode estar relacionada a alguma dessas três etapas - captação, armazenamento ou exteriorização da informação. Os problemas mais comuns, segundo o médico, acontecem na fase de captação. ''A pessoa nem chega a armazenar, porque faltou concentração naquele assunto. Quando foi passada a informação, a pessoa estava pensando em outra coisa'', explica o neurologista.
Novamente parodiando a informática, é como se a informação estivesse na tela do computador, mas não foi salva. ''Esses são os chamados esquecimentos, causados por cansaço, vida atribulada, estresse, em pessoas que querem fazer dez ou mais coisas ao mesmo tempo'', explica.
A perda de memória também pode estar relacionada com o envelhecimento. É a perda senil da memória. O mais comum é a falta de memória para fatos recentes. ''A pessoa não lembra o que fez à tarde, mas lembra de detalhes do que fez há 50 anos'', afirma.
Alterações cerebrais, que podem ser causadas por traumas físicos ou psíquicos, também podem causar problemas de memória. É a chamada memória lacunar ou amnésia, que pode ser total ou parcial. ''Um exemplo é quando a pessoa tem um acidente de carro e não lembra daquele período do dia. Dependendo da intensidade do trauma, a pessoa pode ou não recuperá-la'', diz.
O primeiro sinal de casos de demência, como o Alzheimer, doença degenerativa, é a perda de memória. A doença não tem cura, mas, segundo o neurologista, um acompanhamento médico é importante para ações preventivas, para prolongar ao máximo a deteriorização dos neurônios.
Apesar da deteriorização ser normal com a idade, para manter a memória ativa é preciso utilizá-la sempre. ''Se a pessoa anota tudo, está deixando de usar a memória. É possível anotar só as coisas importantes'', enfatiza. Palavras cruzadas é uma das opções para estimular a memória.
Segundo o neurologista, não existe medicação para melhorar a memória, mas é possível melhorar o estado geral de saúde, diminuindo principalmente o estresse. A qualidade de vida do idoso, com alimentação adequada e prática de exercícios físicos, é fator importante para evitar doenças crônicas, que afetam a parte circulatória, e consequentemente trazem uma senilidade mais precoce.
Memória boa, segundo o médico, também é questão de treinamento. ''Normalmente quem tem boa memória são pessoas que a usaram de forma sistemática e persistente'', afirma. Ele lembra ainda que a memória está ligada a todos os sentidos. Por isso, para gravar o nome de uma pessoa, por exemplo, é interessante relacioná-lo com a voz, a imagem, o cheiro. ''O cego reconhece pelo tato'', exemplifica.

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