Rio, 28 (AE) - A Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (Feema) do Rio de Janeiro informou hoje que a espuma branca observada nas praias da zona sul nos dias 25, 26 e 27 foi produto de um fenômeno natural, não foi provocada por poluição ou vazamento de esgoto. A espuma desapareceu da orla durante a madrugada de hoje.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente contesta o laudo e diz que um emulsionante usado para dissolver óleo derramado na Baía de Guanabara na semana passada pode ter originado a espuma.
Os resultados apresentados pela Feema são de amostras coletadas na segunda-feira em diferentes pontos da zona sul. De acordo com a Feema, no material retirado da área próxima ao emissário submarino de Ipanema não havia presença de "organismos biológicos indicadores de contaminação por esgoto doméstico" - o que confirma a informação dada na segunda-feira pela Companhia Estadual de água e Esgoto, que dizia que não havia vazamentos no emissário nem nas elevatórias do Estado.
Segundo a Feema, no costão do Vidigal, que fica entre as praias do Leblon e de São Conrado, foi encontrada grande quantidade de algas e crustáceos, característicos de costão rochoso, o que é normal. Ainda serão divulgados os resultados das análises físico-químicas e bacteriológicas do material recolhido ontem (27). Nas praias onde havia espuma, o banho já foi liberado.
Poluição - Para a coordenadora do Programa de Despoluição da secretaria municipal, Carmem Lucariny, a espuma branca foi causada por poluição e não por algas. "Aquela coloração esbranquiçada é típica de emulsionante que se usa quando há óleo na Baía de Guanabara", disse Carmem. "Quando o produto está nas águas calmas da baía ele não aparece; quando entra no mar agitado, provoca espuma, tal qual aconteceu na zona sul", explicou.
Carmem lembra ainda que, na noite de segunda-feira, foi encontrado um grande cardume de sardinhas mortas perto do costão do Vidigal - caso semelhante ao das praias da Ilha, no fim de semana, de onde foram retiradas dez toneladas de peixe das praias. Na ocasião, a Feema divulgou que um vazamento de óleo ocorrido na praia de Ramos, na zona norte, há quinze dias, não tinha relação com a mortandade.
Oficinas de carro, de conserto de navios e ainda postos de gasolina despejaram óleo nos canais que chegam à Baía. O presidente em exercício do órgão, Paulo Pizão, afirmou que a densidade do derramamento não seria suficiente para matar os animais. "Foi uma boa quantidade de óleo, com grande dispersão, mas não muito espesso", disse ele, no último sábado.
"Bloom" - A Feema informou ainda que as algas encontradas costumam aparecer nas praias do Rio todos os anos, e
em contato com nitrogênio, causam um fenômeno chamado "bloom"
que causa coloração avermelhada na água. A Feema liberou o banho nas praias do Leme, Copacabana, Arpoador, Ipanema e Leblon. No entanto, em São Conrado, onde hoje ainda havia espuma
o banho não é recomendado. Já o órgão municipal considera trechos de Copacabana e Ipanema e toda a praia do Leblon impróprias.

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