Espuma densa aparece na orla do Rio
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terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Thaise Constancio<br>Agência Estado 
Rio - Uma espuma densa e sem cheiro apareceu ontem na orla do Rio e desencorajou banhistas que aproveitavam o feriado do Dia de São Sebastião, padroeiro da capital fluminense, a entrar no mar. Da zona oeste à zona sul, a espuma variava de cor (de marrom a branca) e de intensidade. O fenômeno tem sido recorrente nas praias da capital.
No Leblon (zona sul), a espuma branca era avistada do alto do mirante, no canto direito da praia. A espuma estava bem próxima à faixa de areia e afugentava os banhistas, à exceção de um surfista solitário - e corajoso. Em Copacabana (zona sul), as areias estavam cheias, e as águas, vazias. Os praticantes de stand-up paddle (espécie de surfe com remo) eram maioria entre os que entraram no mar. Na praia, a espuma estava mais afastada da areia.
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) afirmou que a espuma não é tóxica e não oferece risco à saúde dos banhistas. O fenômeno natural "é decorrente da decomposição de algas e micro-organismos, associado ao mar mais agitado, e não, necessariamente, indicativo de que as praias estejam impróprias para o banho", divulgou o Inea, em nota. A espuma deve dissipar-se nos próximos dias, de acordo com o instituto.
A nota diz ainda que o calor, o sol forte, o mar calmo após um período de ressaca e a presença de nutrientes na água proveniente das correntes oceânicas e do aporte de esgoto no mar favoreceram a proliferação das algas. "O esgoto potencializa o fenômeno natural, que aconteceria mesmo se não houvesse despejo no mar. Mas é bom lembrar que a precariedade do saneamento na Região Metropolitana do Rio aumenta o problema", disse o biólogo Mário Moscatelli.
Apesar da reação dos turistas - muitos não tiveram coragem de entrar no mar e reclamaram da sujeira -, o garçom Rafael Nonato, de 38 anos, que trabalha num quiosque no Mirante do Leblon, percebeu o aumento de pescadores nas praias. "Para eles, essa espuma é boa porque é mais fácil pescar os peixes que vêm se alimentar na superfície", afirmou.


