"Esporteterapia" na Febem: internos nadam e jogam bola para diminuir estresse
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quinta-feira, 30 de setembro de 1999
Por Fabiana Gitsio 
São Paulo, 01 (AE) - A piscina do Complexo Imigrantes da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) foi entregue no ano passado, mas só hoje os meninos infratores puderam usá-la. Antes, os adolescentes ainda jogaram futebol. Essa mudança de rotina faz parte da "esporteterapia" determinada pelo governador Mário Covas (PSDB), que destacou professores da Escola de Educação Física da Polícia Militar para diminuir o estresse dos garotos, numa tentativa de evitar rebeliões.
"Queremos ser vistos como professores, não como policiais", disse o capitão Luiz Carlos da Costa, que coordena o trabalho com os garotos. Pelos cálculos de Costa, cada grupo de menores terá atividades como futebol (nas modalidades campo e salão), basquete, vôlei e recreação na piscina, três vezes por semana, por pelo menos quatro meses, prazo que Covas deu até que as unidades de Franco da Rocha fiquem prontas. Os internos têm passado por uma avaliação física e médica, que constata se eles estão aptos para a prática de esportes.
"Detectamos até garoto de 16 anos com hipertensão, mas os casos mais comuns são de sarna", diz Costa. Os garotos receberam o uniforme para a prática de educação física: camiseta e meias brancas, short e tênis pretos. Choque - Sempre sob os olhares atentos de policiais do Choque - "Senhor, vai virar um Exército isso aqui", dizia um garoto ao monitor -, os meninos caíram na água. S., de 17 anos, que cumpre pena por roubo e recentemente tentou fugir, mas foi recapturado bem perto dali, elogiou as mudanças no complexo. "Em que cadeia você vê isso aqui?", perguntou, enquanto mostrava a piscina. "Pelo menos refresca a mente; lá dentro a gente fica sem fazer nada".
"Está gostoso, mas prefiro a liberdade", gabou-se W., que aos 16 anos cumpre pena por sequestro. Para ele, a terapia pelo esporte não vai dar resultado e as rebeliões continuarão ocorrendo. "No Natal isso aqui vai ferver.


