Esporte terá código médico na luta contra o doping
Lausanne, 02 (AE-REUTERS) - O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Juan Antonio Samaranch, anunciou um acordo com a Fifa e a União Ciclística Internacional (UCI) para assinar um código médico na luta contra o doping. O acordo foi acertado, hoje, em Lausanne, na Suíça, durante o primeiro dia da conferência mundial de doping esportivo, que termina quinta-feira.
A união entre as entidades tem como objetivo buscar uma uniformidade no controle antidoping. A Fifa e a UCI terão dois anos para assinar o código médico com o COI, tempo que será utilizado para resolver problemas jurídicos e financeiros. "Se queremos alcançar nossas metas, devemos assegurar a colaboração de todos", disse o espanhol Samaranch, de 78 anos, presidente do COI desde 1980.
Apenas a Federação Internacional de Natação considera que será impossível unificar os critérios sobre doping para todos os esportes.
Samaranch também pediu que organizações internacionais - como a Organização das Nações Unidas (ONU), a Unesco, Fundação das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Cultura, e União Européia - apóiem e participem "dessa luta ampla e dura". O dirigente solicitou a ação dos governos contra os "traficantes", determinando sanções extra-esportivas. A ajuda da indústria farmacêutica também foi requisitada. Dirigentes espanhóis propõem a criação de um logotipo mundial nos medicamentos que possam ser identificados como substâncias dopantes.
"O objetivo principal é dar uma contribuição para a prevenção e educação dos atletas mais jovens a respeito do perigo mortal que poderão correr ao utilizar tais substâncias", afirmou Samaranch.
Proposta americana - Barry McCaffrey, responsável pela política antidrogas da Casa Branca, propôs que uma comissão, eleita por atletas e membros das federações esportivas e comitês olímpicos, seja responsável por estudar medidas preventivas e punitivas. Em novembro, McCaffrey enviou ao COI um documento de dez páginas que apresentava um projeto para acabar com as drogas no esporte. Ele afirma que a comissão será independente e não deverá estar sob fiscalização do COI, que, em 105 anos de existência, atravessa seu momento mais crítico, sendo alvo de denúncias de corrupção.
O Instituto de Medicina Desportiva de Cuba ofereceu-se para analisar gratuitamente até 15 mil amostras de urina por ano, caso o COI construa um laboratório no país. "Não temos recursos econômicos, mas contamos com pessoal capacitado para conduzir os estudos", afirmou Mario Granda Fraga, diretor do instituto. Segundo Fraga, em 40 anos de pesquisas, apenas 37 casos de doping foram constatados em Cuba. "Nenhum deles foi de atleta internacional."





