Londrina – Histórias de superação, dedicação e amor ao esporte. Terminou ontem em Londrina a 3ª edição dos Jogos Abertos Paradesportivos do Paraná (ParaJaps), que trouxe a cidade mais de 1,3 mil participantes de 40 cidades. Mais do que lutar por títulos e medalhas, a competição é uma forma de inclusão social e de mostrar que não existem barreiras para a prática esportiva.
O ParaJaps teve disputas em 14 modalidades e contou com atletas anônimos e também com referências nacionais em suas modalidades. É o caso do brasiliense Leomon Moreno, 21 anos, um dos melhores jogadores de goalball do mundo e que foi convidado para jogar o ParaJaps por Curitiba.
Leomon foi o principal nome da seleção brasileira na conquista inédita do Campeonato Mundial, disputado recentemente na Finlândia. O jogador foi ainda o artilheiro do Mundial com 51 gols e também esteve na Paralimpíadas de Londres, quando o Brasil ficou com a medalha de prata. Leomon concorre ao título de melhor paratleta brasileiro de 2014, prêmio concedido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).
"Esse título mundial e a minha indicação ao prêmio são muito importantes para o goalball, que é pouco conhecido até mesmo dentro do esporte paralímpico. Certamente vamos ganhar em visibilidade", frisou Moreno, que atualmente joga pela Associação Paraibana de Cegos (Apace), de João Pessoa, atual campeã brasileira.
Leomon nasceu com retinosa pigmentar, uma doença que atinge a retina e vai devastando o campo visual. Aos 7 meses de vida começou a perder a visão e hoje enxerga só vultos e claridade. O goalball surgiu na vida de Leomon aos 7 anos, incentivado pelos irmão mais velhos, Leonardo, de 30, e Leandro, de 26, que também sofrem com a mesma doença genética.
"Como eu enxergava melhor eu os levava aos treinos e com isso quando comecei a jogar eu já sabia de todos os detalhes da modalidade", frisou. Em 2011, os irmãos foram vice-campeões brasileiros jogando por Brasília. "Jogar em família nos deixa muito contentes e a festa em casa é maior", relatou Leonardo Moreno, que segue atuando na capital federal e também foi convidado para jogar por Curitiba. No Campeonato Mundial, Leomon teve a parceria do irmão Leandro na seleção.
O goalbal é disputado em dois tempos de 12 minutos e por seis atletas em cada equipe, três titulares e três reservas. A quadra tem a mesma dimensão de uma de vôlei (9x18m), e é toda sinalizada com fita e barbante, que servem para os atletas se localizarem. O gol tem nove metros de largura por 1,30 de altura e toda marcação e orientação da arbitragem é feita em inglês. "É uma forma de unificar o esporte e ajuda os nossos atletas nas competições no exterior", explicou a árbitra e coordenadora do goalball nos ParaJaps, Elaine Aquino. Os atletas usam um tampão nos olhos e um óculos, que evita enxergar até mesmo a claridade.

LONDRINA TRICAMPEÃO



Mesmo reforçado o time de Curitiba não foi páreo para o de Londrina, que conquistou o tricampeonato do ParaJaps. Os londrinenses venceram os curitibanos ontem por 9 a 7 e, pelo confronto direto, comemoraram o título. "Foi muito gratificante ganhar deles, que estavam reforçados pelo Leomon. Melhor que vencer é contar com os benefícios para a saúde e para a socialização que o esporte proporciona", comentou Adenílson Vicente, de 36, que perdeu a visão em 1998, em um acidente automobilístico, e também já defendeu a seleção brasileira.
"É bom saber que as demais equipes estão se reforçando para tentar tirar a nossa hegemonia. Isso nos dá orgulho", contou o técnico Márcio da Silva, que realiza o trabalho há oito anos no Instituto Roberto Miranda. O time londrinense tem o apoio da Fundação de Esportes e do Sesi.

Para Japs teve disputas em 14 modalidades e contou com atletas anônimos e renomados
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