A maturidade traz sabedoria, mas o envelhecimento também traz perda da capacidade cognitiva. Frear o avanço desse processo é possível com a prática de esportes que aliam raciocínio e atividade física. É o que mostra uma pesquisa feita na Universidade Estadual de Londrina (UEL).

A professora de Educação Física, Francys Paula, que fez o estudo para a dissertação de mestrado pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Desenvolvimento e Aprendizagem Motora (Gepedam) da UEL, explica que a perda cognitiva com o envelhecimento se traduz principalmente na menor velocidade de resposta motora.

Com o tempo, a pessoa fica mais lenta para reagir a estímulos em situações cotidianas, como entrar em uma escada rolante no momento exato ou avançar o carro assim que o semáforo fica verde. ''São atividades que exigem 'timing'. O idoso fica 'incapaz' e deixa de fazer as atividades do dia a dia porque não consegue, por exemplo, ter a rapidez para apertar os botões no caixa eletrônico. A maioria deixa de dirigir porque perde ou não treina essa capacidade'', alerta.

A ideia do estudo veio do trabalho que ela realiza com idosos como personal trainer. ''Sempre perguntei a eles o que queriam ter de volta da juventude, se isso fosse possível. E, a maioria sempre respondeu que não queria a força, mas a agilidade de volta''.

O objetivo da pesquisa então foi comparar a capacidade de reação em idosos que praticavam atividade física com idosos sedentários e com jovens. A atividade física escolhida foi o tênis, esporte que demanda esse timing coincidente, a capacidade de sincronizar o movimento de rebater a bola na hora exata em que ela está próxima. ''Se for antes, ou depois, o movimento fica prejudicado''.

A professora aplicou o mesmo teste com os três grupos: os participantes precisavam acionar quatro sensores em uma sequência determinada. Os sensores tinham que ser acionados em um período de tempo que era marcado por uma canaleta com 96 luzes - conforme o tempo passava, as luzes iam se acendendo, mas essa velocidade variava. O primeiro sensor tinha que ser acionado assim que a primeira luz se acendesse, e, o último, coincidir com o final do tempo.

Participaram do estudo 26 idosos que disputavam um campeonato de tênis em Londrina, com idade acima dos 60 anos, 26 alunos de Educação Física da UEL, com idade entre 20 e 30 anos, e 26 idosos, também com mais de 60, que não praticavam nenhum esporte - todos do sexo masculino.

O resultado foi surpreendente: os idosos que praticavam tênis apresentaram a mesma capacidade que os jovens, bem diferente dos idosos sedentários.''O desempenho dos idosos que não praticavam esporte foi significativamente inferior. Independente da tarefa, ficou claro que, com esse tipo de esporte, consegue-se manter a capacidade inalterada'', afirma.

Pesquisas mostram que em atividades como corrida e natação, o impacto na atividade cognitiva não é tão grande porque não exigem 'timing'. ''Isso você tem em esportes como tênis, basquete, futebol, volei, handebol, badminton e até pingue-pongue'', diz.

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