Espionagem chinesa causou sérios danos, admite governo dos EUA
Washington, 08 (AE-REUTERS) - A administração do presidente americano, Bill Clinton, rejeitou hoje (08) acusações da oposição segundo as quais a Casa Branca suavizou sua reação diante da evidência de que a China roubou segredos nucleares dos EUA nos anos 80 para evitar uma deterioração nas relações com Pequim. "Ainda não conhecemos a extensão de nosso prejuízo", disse o secretário de Energia, Bill Richardson. "Acreditamos que eles tenham sido sérios, mas o FBI (polícia federal americana) e o pessoal de Los Alamos estão investigando o caso minuciosamente."
O caso veio à tona no sábado, quando o jornal The The New York Times publicou uma reportagem revelando que as autoridades americanas descobriram em 1995 - logo depois de a China ter realizado alguns ensaios nucleares - que os chineses tinham desenvolvido uma ogiva nuclear de pequeno porte muito semelhante à W-88, desenhada nos anos 80 no Laboratório Nacional de Los Alamos, no Novo México, a principal "fábrica atômica" dos EUA.
Um cientista sino-americano, suspeito de ter passado os planos da arma para Pequim, foi afastado de Los Alamos, mas, segundo o jornal, nenhuma investigação mais profunda foi iniciada, o caso não resultou em nenhuma detenção e só há cerca de um mês o suposto espião foi submetido a um teste no detector de mentiras - no qual foi reprovado.
A oposição republicana no Congresso acusou a Casa Branca de fazer "vista grossa" sobre o caso do mesmo modo que a administração Clinton vem evitando criticar a China em questões como a do respeito aos direitos humanos, a do Tibete ou a de Taiwan. Richardson rebateu, afirmando que todos os órgãos de segurança do governo, como a CIA - a agência de espionagem e contra-espionagem americana - e o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca também estão envolvidos na apuração dos fatos.
O conselheiro de Segurança Nacional, Sandy Berger, informou que todo o sistema de segurança de Los Alamos está sendo reforçado. Essa medida atende a uma ordem de Clinton, que, segundo Times, só foi informado do roubo em 1997, depois da viagem oficial que fez à China.
Ontem, o governo chinês negou veementemente que tivesse roubado tecnologia nuclear dos EUA, qualificando a reportagem do jornal de "irresponsável e injustificada".





