Washington, 10 (AE-ANSA) - Um agente secreto norte-americano despedido em 1995 por violação dos direitos humanos na Califórnia será condecorado com uma medalha da CIA. A notícia, publicada hoje no jornal The Washington Post, gerou reações indignadas. Terry Ward, de 62 anos, ex-dirigente da divisão latino-americana da CIA, receberá uma medalha "por sua brilhante carreira" apesar de suas relações com pessoas suspeitas de atrocidades.
Ward ocultou de seus superiores o papel desempenhado pelo coronel guatemalteco protegido pela CIA no assassinato de Michael DeVine, um hoteleiro norte-americano, e de Efraín Velásquez, um guerrilheiro casado com uma cidadã norte-americana.
"A CIA nunca desmente nada- comentou hoje Jennifer Harbury, a viúva de Velásquez-. Não atuou de boa fé cinco anos atrás quando anunciou que havia feito limpeza em sua rede na Guatemala, e agora o demonstra".
"Terry Ward - replicou Paul Redmond, ex-chefe de operações de espionagem da CIA jubilado há dois anos - é uma boa pessoa que foi despedida por razões políticas".
A entrega da medalha será a portas fechadas no dia 23 de março, na sede da CIA em Langley, Virgínia.
O escândalo que causou a demissão de Terry Ward ocorreu no outono de 1996.
Jennifer Harbury fez uma longa greve de fome em frente da Casa Branca, pedindo a revelação da verdade sobre a morte de seu marido, assassinado pelas Forças Armadas da Guatemala em 1992.
Pressionado pelo congresso, o diretor da CIA de então, John Deutch, iniciou uma investigação. Terry Ward foi acusado de ter mantido relações com os assassinos de DeVine e Velásquez, embora soubesse que utilizavam métodos ilegais.
O vice-diretor da CIA, James Pavitt, aprovou a proposta de condecorar Terry Ward.
Segundo o The Washington Post, os ex-colegas acusam John Deutch de ter encontrado em Ward um bode expiatório pelas irregularidades cometidas na Guatemala e por ter divulgado seu nome enquanto estava no exterior em missão secreta.
A carreira de Ward começou no Laos nos anos 60, e prosseguiu mais tarde em países como Argentina, República Dominicana, Bolívia, Venezuela, Perú e Honduras.
Nos anos 90, Ward foi promovido a chefe da divisão latino-americana, mas antes de ser despedido foi levado à Suíça.

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