Espero que eu possa espelhar muitos jovens
Londrina - Negro, criado em um bairro pobre de Londrina, filho de mãe solteira empregada doméstica, estudante de escola pública, trabalhador desde criança e ex-engraxate. Alexsandro Eleotério Pereira de Souza, de 30 anos, tinha tudo para não seguir nos estudos, mas mudou o próprio destino. Depois de ingressar no curso de Ciências Sociais da UEL pelo sistema de cotas, em 2006, ele já se prepara para iniciar o doutorado. Além disso, estimula outros garotos a sonharem alto também e acreditarem na possibilidade de irem além. "Não se falava de vestibular ou faculdade onde morava ou estudava. Era algo muito distante da nossa realidade. Infelizmente, ainda hoje não é muito diferente. Espero que eu possa espelhar muitos jovens a seguirem o mesmo caminho", comenta.
Com o estímulo de chefes e amigos de trabalho, descobriu na universidade a possibilidade de vislumbrar outros postos de trabalho além do assalariado ou braçal. "Para minha mãe, terminar o Ensino Médio já era uma vitória. Até hoje ela não compreende muito bem porque ainda continuo estudando e que esse é meu trabalho, pois foi criada para trabalhar desde cedo." Etapa vencida, o ingresso na universidade era apenas o início da caminhada. "Minha autoestima aumentou absurdamente. Hoje, eu consigo entender o sentimento de inferioridade que existia. Ainda preciso me libertar dos laços e da perversidade do racismo, mas o Alex frágil de antes, que fugia da realidade, ficou para trás", comemora. (M.T.)





