A cegueira causada por uma doença conhecida como retinose pigmentar já não é mais sentença definitiva. A esperança é o desenvolvimento de uma tecnologia capaz de fazer esses pacientes voltarem a enxergar - o olho biônico. O oftalmologista Gildo Fujii participou das pesquisas sobre a prótese intraocular retiniana nos Estados Unidos e existe a possibilidade de trazer um instituto de pesquisas na área para Londrina.
  O médico explica que a idéia da prótese nasceu da pretensão de se resgatar algum nível de visão para o paciente acometido pela doença. A retinose pigmentar tem origem genética e vai comprometendo a visão aos poucos. O paciente nasce enxergando, mas com o passar dos anos, vai perdendo o campo visual e a percepção luminosa. E chega aos 30, 40 anos de idade sem conseguir enxergar.
  A doença é ‘‘relativamente rara’’ dentro da população em geral. Estatísticas mundiais, segundo Fujii, apontam uma prevalência de um caso para cada 2,7 mil pessoas. ‘‘Nos Estados Unidos hoje são 200 mil casos’’, aponta.
  Nossa visão funciona através de um sistema complexo. O oftalmologista explica que a luz que vem de fora passa pela córnea, pelo cristalino (que é uma lente) e pelo meio gelatinoso que preenche o olho até chegar na retina, que é um tecido nervoso, uma extensão do sistema nervoso.
  Uma das camadas da retina é formada pelos fotorreceptores, que captam a luz e transformam isso em estímulo nervoso. Esse estímulo passa por uma camada de células chamadas ganglionárias, que formam o nervo ótico, e enviam as informações até o córtex cerebral, onde a imagem é processada. Esse processo é chamado de via ótica. ‘‘Quando não há percepção luminosa é porque esse processo foi quebrado em algum lugar’’, ressalta o médico.
  No caso de quem tem retinose pigmentar, os fotorreceptores são os mais atingidos. Como esses receptores são parte do sistema nervoso, funcionam como um neurônio, que depois de perdido é impossível recuperar. Quem tem a doença começa por perder os receptores responsáveis pela visão periférica e pela visão noturna. ‘‘Por isso, as primeiras reclamações do paciente é que não está enxergando bem à noite, e que está perdendo campo visual’’, explica.
  Outras doenças, como o glaucoma, traumas e outros problemas genéticos, também podem atingir os fotorreceptores e causar cegueira. ‘‘As doenças são tratáveis só quando o paciente ainda tem percepção luminosa. Pacientes com catarata ou deslocamento de retina, por mais grave que sejam os casos, ainda têm essa percepção, e por isso são tratáveis’’, aponta.
  Fujii explica que o olho biônico busca substituir os fotorreceptores, estimulando diretamente as células ganglionárias. A captação de imagens é feita então através de uma microcâmera fixada na armação de um óculos. Através dessa armação, a imagem chega, sem fio, até um transmissor no cabo do óculos, que vai transmitir os dados da imagem para um processador implantado atrás da orelha do paciente, embaixo da pele.
  Os sinais da imagem são transformados em sinais elétricos, que são transmitidos até a retina por um cabo implantado no cérebro. Uma placa de eletrodos implantado na retina, faz com que as células ganglionárias recebam diretamente o estímulo elétrico, e que o paciente volte a enxergar. Pelo menos em parte.

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