São Paulo- Descobertas recentes sinalizam tempos de maior esperança de cura e sobrevida com mais qualidade para as mulheres vítimas do câncer de mama. De acordo com o Ministério da Saúde, esta é a doença que ainda mata mais mulheres no Brasil. Em 2003, foram registrados 41 mil novos casos, com 25% de mortes. Dois são os fatores principais que levam a esta alta incidência do câncer de mama entre as brasileiras: detecção em estágio avançado e falta de prevenção adequada.
Muitas mulheres ainda ignoram os alertas, feitos por meio de campanhas de esclarecimento, de que é necessário fazer, todos os anos, exames como a mamografia, sobretudo após os 40 anos, quando a probabilidade de desenvolver a doença cresce assustadoramente. Nesta fase, registra-se um caso a cada 235 mulheres, contra uma única ocorrência a cada 2.212 verificada na população feminina na faixa dos 30 anos.
Um dos revolucionários avanços destinados a proporcionar mais conforto às pacientes é a Radioterapia Intra-Operatória (IORT), método em que é aplicada uma única sessão de radioterapia na mulher que acabou de se submeter a uma cirurgia de retirada de um nódulo na mama. Terminada a operação, entra em cena um acelerador móvel (NOVAC 7), que direciona e aplica a radiação somente no local de onde acabou de ser extraído o material cancerígeno no seio ainda aberto. As vantagens da radiação direta são os mínimos efeitos colaterais e a proteção da pele, tórax, pulmão, coração e o restante do tecido glandular sadio, evitando a ocorrência de queimaduras e cicatrizes. Isto tudo ocorre nas seis semanas de radiação externa pós-cirúrgicas prescritas no método convencional de tratamento.
Desenvolvida pelo médico italiano Umberto Veronesi, a nova técnica está tendo sua eficácia analisada por meio de um estudo que reúne 800 pacientes com mais de 48 anos de idade e portadoras de tumores menores que 2,5 cm - metade do dedo polegar de um adulto, por exemplo. Os resultados preliminares da pesquisa indicam que a radioterapia intra-operatória pode reduzir em até quatro vezes a probabilidade de recidivas - a volta do tumor no mesmo local. No Brasil, a IORT está disponível em apenas três cidades: São Paulo - hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein; Campinas (SP) - Instituto da Mama; e Porto Alegre - Hospital São Lucas, da PUC.
Ainda no campo cirúrgico, foi criado um método que ajuda na localização mais exata daqueles nódulos tão pequenos que não são vistos a olho nu: a ROLL (Radioguided Occult Lesion Localization). Antes da operação de retirada, uma substância radioativa é injetada na mama para mostrar onde está a lesão suspeita com precisão de praticamente 100%. Uma sonda de alta sensibilidade faz o rastreamento sobre a mama e apita quando detecta o líquido radioativo, indicando para o médico a região certa da incisão. Estudo feito no ano passado no Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte, mostrou que a ROLL reduziu de 34 para 23 minutos o tempo médio de cirurgia para a retirada do câncer. Também desenvolvida na Itália, em pouco tempo a técnica deve se sobrepor à atual marcação cirúrgica, quando o médico é guiado por um fio metálico introduzido na mama da paciente por uma agulha. O uso dos fios não é seguro porque eles podem se mover dentro de mamas volumosas ou se partir durante a cirurgia.
Uma outra complicação derivada do câncer de mama começa a ser enfrentada pelos médicos com mais chances de sucesso. O linfonodo sentinela é um método que evita a retirada dos gânglios linfáticos, região que costuma ser logo atingida nos casos de metástase. A técnica prevê a injeção de uma substância corante de contraste na mama que identifica um primeiro gânglio, que é enviado para análise. Se ele não estiver contaminado, significa que os demais também não estão, o que torna sua extração desnecessária. Isto evita os típicos casos de inchaço, infecções locais e perda de sensibilidade nos braços, frequentes nas mulheres que tiveram as axilas totalmente esvaziadas.

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