Jacarta, 10 (AE-REUTERS) - O líder rebelde do Timor Leste, José Xanana Gusmão, que foi transferido hoje (10) de uma cadeia para prisão domiciliar em Jacarta, é tido como o homem que liderará o empobrecido território caso este decida tornar-se independente da Indonésia.
Um poeta que estudou num seminário jesuíta, Gusmão era o líder de um diminuto grupo de guerrilheiros armados até sua captura em 1992.
Em 1993, ele foi sentenciado a 20 anos de prisão por sua luta armada contra a invasão do Timor Leste pela Indonésia em dezembro de 1975 e a anexação do território de maioria católica, uma ação que poucos países reconheceram.
Em semanas recentes, o carismático Gusmão vem se tornando um personagem cada vez de maior destaque na Indonésia e tem sido saudado como uma das vozes da razão no debate sobre o futuro do Timor Leste.
Este debate tornou-se mais urgente desde que Jacarta anunciou em janeiro que estava preparada para deixar a ex-colônia portuguesa caminhar sozinha depois de 23 anos de um regime muitas vezes brutal dos militares indonésios.
O antigo inimigo do Estado indonésio, sempre vestido com elegância, tem frequentemente sido mostrado em fotos da imprensa local saudando em sua prisão líderes da oposição e dignatários estrangeiro.
Apesar de não gostar de falar sobre ser o primeiro presidente do Timor Leste, muitos observadores políticos o vêem como a pessoa mais capaz de unir o faccioso território, que conheceu pouco mais do que negligência e dureza sob os governantes portugueses e indonésios.
Gusmão, enquanto saudando a oportunidade de independência do Timor Leste, tem advertido que é preciso de mais tempo para se resolver a questão.
Ele também tem pedido a todas as partes no território para se desarmarem.
"Todos os timorenses têm de sentir a responsabilidade de se evitar uma nova guerra civil. Sem armas não existe guerra", disse ele recentemente.
Nascido na cidade de Mana Luto, no Timor Leste, em 20 de junho de 1946, Gusmão é o segundo filho de uma família de nove crianças. Ele ficou quatro anos num seminário jesuíta em Dare, nas colinas ao redor da capital provincial Dili, e também estudou na Escola Secundária de Dili.
Ele fez os três anos de serviço compulsório nas forças coloniais portuguesas e mais tarde trabalhou no departamento da administração colonial.
Em outubro de 1969, ele casou-se, e sua mulher Emília e os dois filhos vivem agora na cidade de Melbourne, Austrália.
Em 1974, ele ganhou o prêmio de poesia do Timor Leste por um poema chamado "Mauberedias", inspirado no épico português "Lusíadas", de Luís de Camões.
Ele mudou-se para a Austrália no final daquele ano e envolveu-se com o partido Fretilin, do Timor Leste, que começava a formar-se enquanto Portugal dava início à descolonização de suas possessões territoriais.
Gusmão deixou a Austrália em novembro de 1975, viajando para a sua terra natal uma semana antes da invasão das tropas indonésias.
Ele permaneceu no território e uniu-se à oposição armada à Indonésia, e assumiu a ala militar da Fretilin em 1978. Até sua captura, ele liderou um mal-equipado bando de guerrilheiros lutando contra as imensamente superiores forças da Indonésia, tornando-se quase uma lenda entre o povo do Timor Leste no processo.
Apesar de ter sido acusado de participar em execuções e massacres, Gusmão é também conhecido por ter negociado um cessar-fogo de três meses com as tropas indonésias em 1983, o que provocou um cisma no movimento guerrilheiro.
Depois de sua captura, a Indonésia deu grande publicidade ao seu julgamento, mas este ficou à beira da farsa quando uma testemunha chamada para falar contra ele começou a gritar slogans de apoio antes de ser retirada à força do tribunal. Gusmão foi impedido de ler um comunicado de defesa.
Depois de ter sido inicialmente condenado à prisão perpétua, a sentença foi reduzida para 20 anos em 1993.

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