Espera por consulta pode chegar a quatro meses
Espera por consulta pode chegar a quatro meses11/Mar, 19:00 Por Lígia Formenti São Paulo, 11 (AE) - Na quinta-feira (9), um quadro instalado logo na entrada do Hospital do Servidor Público Municipal avisava: havia vagas para consultas em apenas 14 das 50 especialidades médicas existentes. Quem não se intimidasse com o aviso e tentasse marcar uma hora em um endocrinologista teria de amargar uma espera de, pelo menos, quatro meses. Esse também é o período para conseguir ser examinado por um cardiologista do hospital. "É incrível que haja uma espera tão longa só para uma consulta", afirmava, angustiado, o funcionário aposentado Otávio Correa Carlos, de 52 anos. Na quinta-feira, ele esperou mais de duas horas para ser atendido no pronto-socorro do hospital. No dia seguinte, voltou à instituição para marcar uma consulta, dessa vez com um psiquiatra. A data mais próxima encontrada foi 31 de maio. "Até lá, seja o que Deus quiser." O funcionário, que sofre de hipertensão, reclamava ainda da falta de dois medicamentos, desde setembro. "Estou gastando por mês R$ 50." Claudinete dos Santos de 49 anos, também saía na quinta-feira do hospital sem o remédio receitado por uma dermatologista. "Esta é a terceira vez que venho e, como não há o remédio, ainda não consegui iniciar o tratamento", lamentava. Já Aparecida Fernandes estava menos contrariada: "Não tenho remédios e a consulta para tratar a diabete é muito demorada", disse. "Em compensação, o tratamento com o oftalmologista está trazendo ótimos resultados e estou sendo muito bem atendida", contou. Natalina Dias de Pádua, de 78 anos também saía satisfeita: "Meu remédio chegou e agora posso ficar sossegada." A obtenção de remédios e a realização de exames, porém, é uma questão de sorte. Cleide Matsumoto, que é oncologista, conta que uma de suas pacientes, com tumor cerebral e hipertensão grave, está há meses esperando uma ressonância magnética. "Ela havia feito uma cirurgia, estava apenas em acompanhamento, quando os sintomas voltaram", conta a médica. A ressonância, marcada para janeiro, foi transferida para março. "Para algumas doenças, a demora é perigosa", afirma.





