Londrina - Antônio Britto, presidente-executivo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), elogia o trabalho da Anvisa, mas destaca que há pontos a serem aperfeiçoados.
"A agência construiu um corpo técnico muito qualificado e aprovou uma regulamentação sobre medicamentos que está extremamente alinhada às melhores do mundo e que define uma preocupação com segurança, eficácia e qualidade. Quando olhamos para a capacidade regulativa da Anvisa, o resultado (dos últimos 15 anos) é extremamente satisfatório. Isso gerou uma situação curiosa: a regulamentação é tão cuidadosa que a Anvisa fica sem pessoal para cumprir toda a regulação que propôs", diz Britto.
"Uma questão é que, ao contrário de agências de outros países, a Anvisa não cuida só de medicamentos. Cuida de defensivos agrícolas, tabaco, cosméticos, vários assuntos. A FDA (agência do governo americano) tem 15 mil pessoas só para algumas coisas enquanto a Anvisa tem 2,5 mil funcionários. Em janeiro, a agência deve contratar 314 novos servidores, mas não é suficiente. Isso cria uma necessidade de priorização dentro da Anvisa, de colocar em primeiro lugar questões de maior risco sanitário", afirma.
A Interfarma mantém o Demorômetro, ferramenta baseada em dados da própria Anvisa que mede o tempo médio que a agência leva para aprovar um medicamento no Brasil. De acordo com os números mais recentes, atualizados em setembro, a média geral de espera para aprovação de medicamentos era de 801 dias. Segundo a Interfarma, além do quadro insuficiente de servidores, outro grande entrave é a burocracia.
"Infelizmente, o processo é muito burocrático, e questões secundárias são tratadas como as principais. Um exemplo: as cores e os tamanhos das letras nas caixinhas de remédios. Por mais importantes que sejam essas questões, não são tão importantes quanto ir ao exterior e fiscalizar a produção de matérias-primas dos medicamentos que são comercializados no Brasil", considera Britto. (F.G.)

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