Brasília, 25 (AE) - Além de enfrentar um reforçado aparato militar, os manifestantes da Marcha dos 100 Mil terão de ultrapasar os diversos espelhos dágua que protegem os prédios do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional, caso decidam por uma eventual invasão.
Esses pequenos lagos foram construídos nesta década como mecanismo de proteção para evitar o assédio de manifestantes e dificultar sua entrada. Foram criados respeitando o projeto original de cada prédio, assinado pelos arquietos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, mantendo o padrão arquitetônico da cidade. O mais novo deles é o do Congresso, cuja obra foi inagurada há poucos meses e custou quase R$ 1 milhão.
O fosso, que protege toda a frente do Legislativo, tem 40 centímetros de profundidade e uma largura máxima de 25 metros - ele é ovalado. Foi desenhado por Niemeyer, a pedido do senador Antonio Carlos Magalhães, após uma tentativa de invasão durante uma manifestação organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
O espelho do Planalto foi construído no começo do Governo Collor, em 1991. Ele foi motivado pela inédita invasão do palácio, por um homem embriagado dirigindo um ônibus. Ele atravessou o pátio na frente do Planalto, quebrou as vidraças e foi parar no saguão do palácio. Se houvesse o espelho dágua na época, o susto não teria ocorrido.

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