Nova York, 30 (AE-ANSA) - Os chamados "day traders", especuladores do mercado de ações que passam geralmente mais de seis horas diárias pregados nas telas dos computadores para comprar e vender papéis da bolsa, estão na berlinda depois da matança de Atlanta.
Mark Barton, de 44 anos, era um dos muitos que se lançaram às especulações graças a Internet. Havia deixado seu trabalho para dedicar-se o tempo todo a essas frenéticas transações, inspiradas mais nas máquinas de caça-níqueis do que no que se pode se chamar de ciência financeira.
Quando durante o pregão de sexta-feira o índice Dow Jones caiu mais de 250 pontos, Barton invadiu os escritórios do All-Tech Investiment Group, uma operadora de Atlanta, e abriu fogo contra quem encontrou pela frente.
Nove pessoas morreram e doze ficaram feridas antes de Barton se matar com duas pistolas. Suas últimas palavras foram: "Espero que isso não tenha arruinado sua jornada de operações".
Nos Estados Unidos há cerca de 5.000 "day traders", em sua maioria homens jovens, que testam a sorte diariamente em seus computadores pessoais ou em escritórios, conectados em serviços da Internet como E-Trade e Charles Schwab.
"Especular com a Internet é como ter um fuzil automático: se você sabe como usá-lo, pode abater muitas presas, caso contrário
ele explode em sua cara", disse Harvey Houtkin, um operador da All-Tech.
Quando a bolsa cai, esses operadores estão particularmente ameaçados: a velocidade das transações multiplica as perdas e ao final de poucos minutos é possível encontrar-se com os bolsos vazios.
"É estranho que algo assim não tenha ocorrido antes", declarou ao jornal The New York Post um operador com 20 anos de experiência, lembrando que quando se especula na Internet não é possível ir dar uma volta para acalmar os nervos quando a tensão aumenta mais do que o normal.

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