Especulação imobiliária é responsabilizada por tragédia
Istambul, 17 (AE-IPS) - O terremoto que sacudiu nesta noite a cidade de Izmit, na Turquia, e que deixou mais de mil mortos, milhares de desaparecidos e inúmeros feridos, foi uma tragédia humana agravada pela falta de visão e pelo desrespeito às leis de zoneamento e normas de construção.
Izmit se localiza sobre uma falha geológica que corta o norte da Turquia. A cidade não pára de crescer, por causa do constante êxodo rural, e a área urbana cresce de forma descontrolada.
Polat Gulkan, sismólogo da Universidade Técnica do Oriente Médio, disse que o terremoto de Izmit já havia sido previsto pelos cientistas e, ao menos no papel, pelas autoridades municipais, que "não têm como supervisionar todas as obras".
Em entrevista à rede de televisão britânica BBC, o diretor do departamento de risco da Inspetoria Sismológica Britânica, George Musson, confirmou que os perigos sismológicos da zona de Izmit já eram muito bem conhecidos. Mesmo assim, há vinte anos se constrói na área, quase sem controle.
"Há um código de construção na Turquia, mas não se pode esperar que ele seja seguido à risca. É um problema econômico", disse Musson.
O primeiro-ministro turco, Bulent Ecevit, anunciou recursos extras para a reconstrução que se seguirá "ao pior desastre natural já visto".
Mais de duzentos tremores secundários foram registrados após o terremoto principal, que chegou a 6,8 na escala Richter. Praticamente toda a região, que inclui parte da Grande Istambul, ficou sem energia ou comunicações por várias horas. Embora Istambul não tenha sofrido destruição nas proporções vistas em Izmit, a metrópole foi tomada pelo pânico.
Rússia, Israel, Alemanha, Suíça, Grécia e EUA anunciaram o envio de ajuda e de especialistas para colaborar no resgate de vítimas e recuperação de danos.





