Especialistas vêem derrota de Pitta numa eventual disputa à reeleição
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Flavio Mello 
São Paulo, 04 (AE) - Uma nova vitória diante do pedido de impeachment apresentado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) à Câmara Municipal de São Paulo não mudará o futuro político do prefeito Celso Pitta (PTN), segundo especialistas em marketing administrativo e eleitoral. De acordo com publicitários e consultores políticos, a chance de Pitta ter bons resultados na disputa das eleições municipais deste ano praticamente inexiste.
"Politicamente, Pitta se transformou em um cadáver político", afirmou o publicitário Luís Lara. Ele acredita que a "marca Pitta" não tem mais solução, porque nunca passou da fase de conhecimento.
Lara explicou que uma marca tem de atingir estágios básicos para fixar-se no mercado: conhecimento, diferenciação, competitividade e relevância. "Pitta nunca passou do primeiro estágio, porque foi eleito e conseguiu tornar-se um prefeito conhecido por causa do engajamento com Maluf", afirmou. "Depois da desvinculação, ficou gravitando no espaço e não conseguiu estabelecer um estilo próprio, uma diferenciação, e não passou para os estágios seguintes."
Uma das vantagens de Pitta ao permanecer no cargo é poder usar a propaganda oficial para tentar melhorar a imagem de sua administração, mas Lara advertiu que isso poderá ter um efeito contrário. "Quando uma marca tem características ruins muito acentuadas que frustram o consumidor, num primeiro momento, essa rejeição tende a acentuar-se", justificou o publicitário.
O cientista político e membro do Centro de Estudos e Pesquisas de Opinião Pública (Cesop) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Rubens Figueiredo acredita que uma eventual candidatura poderá até ser útil para Pitta, mas em termos eleitorais não terá chance alguma.
Palco - Figueiredo entende que o horário eleitoral gratuito será um "palco" importante para o prefeito defender-se das críticas dos adversários e até para mostrar suas realizações, mesmo que o tempo disponível seja reduzido. "Eleitoralmente, entretanto, não tem chance alguma de reeleger-se."
Para o cientista político, além de a administração em si ser ruim, o prefeito passou todos os anos sendo alvo de denúncias e acabou batendo todos os recordes de exposição negativa. "Pitta tornou-se um político carimbado pelas denúncias de corrupção e podem até convidar o Spielberg, que talvez até melhore a situação, mas não acho que resolverá o problema", afirmou Figueiredo.
Estratégias - Embora mantenha mistério sobre o seu futuro político, Pitta ensaiou algumas tentativas de criar bases eleitorais reunindo-se com lideranças comunitárias nas sedes das Administrações Regionais. Depois, seus assessores de comunicação determinaram que inúmeras placas fossem espalhadas pela cidade para aumentar a visibilidade de obras e serviços.
Pitta nega, mas seus assessores políticos garantem que pesquisas internas recebidas recentemente indicavam uma possibilidade de crescimento nas intenções de voto. O jornalista Chico Santa Rita foi chamado, em fevereiro, para montar o programa do PTN.
O tempo desse programa, que a princípio iria ao ar em março e depois foi confirmado para maio, é de dois minutos e seria totalmente usado para mostrar as realizações da administração. "O que poderia ter sido feito já foi, mas esse roteiro está completamente prejudicado por causa dos últimos fatos", admitiu Santa Rita.
Ele disse que, apesar de o seu compromisso ter sido com o partido, há um mês achava que a má avaliação do prefeito Celso Pitta era reversível. "Depois dos últimos fatos, precisaria analisar tudo novamente para dar uma opinião", disse.
A secretária nacional do PTN, Theresa Ruiz, garantiu que o prefeito é o candidato do partido. "Não temos a menor dúvida de que há possibilidade de Pitta ser candidato", afirmou.
O presidente do PTN, Dorival de Abreu, também não abre mão do mais ilustre filiado. Apesar das denúncias em torno da administração municipal, Abreu afirmou, diversas vezes, que Pitta terá uma votação "surpreendente".


