Terras submersas pelo aumento do nível dos oceanos, extensão dos desertos e impaludismo até na Europa são alguns dos cenários catastróficos que poderá provocar no século XXI um aquecimento geral do planeta, devido a um efeito estufa excessivo. Esses cenários podem, principalmente, ocorrer nos países pobres, menos equipados para enfrentar um desenvolvimento semelhante.
E embora persistam incertezas a respeito, não se trata de nenhuma ficção científica: foram estabelecidos por um painel de mais de 3 mil especialistas de 120 países, entre cientistas e economistas, que compõem o Grupo Intergovernamental de Avaliação do Clima (GIAC), nesta semana em Buenos Aires.
Segundo o GIAC, o aquecimento será ‘‘provavelmente o maior já registrado nos últimos 10 mil anos’’. Uma concentração demasiadamente forte de gases de efeito estufa provocada pela combustão de energias fósseis que se desprendem do gás carbônico (CO2) provocará uma série de impactos que se agravarão na medida em que no final do século XXI a população planetária será mais que o dobro da atual.
O efeito estufa já provocou um aquecimento da Terra. Desde o final do século passado, as temperaturas subiram entre 0,3 e 0,6 grau e o nível dos oceanos se elevou de 10 para 25 cm. O GIAC voltou a insistir em sua convicção de que existe ‘‘uma influência humana perceptível no clima mundial’’.
A falta de rigor científico dos dados que se manejam na IV Conferência da ONU sobre a Mudança Climática pode ter graves consequências no combate contra o efeito estufa, afirmou ontem, em Buenos Aires, o porta-voz da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Taysir Al Ghanem.
Para a OMM, a base científica da reunião de Buenos Aires contra o aquecimento da atmosfera é muito deficiente, e por isso não servem as medidas que se planejam quando falta o essencial: uma investigação meteorológica que ofereça dados mais confiáveis.
Embora ainda não disponha de cifras, a OMM solicita aos governos do mundo um investimento em infra-estruturas para pesquisar, em tecnologia e em formação humana. ‘‘Estão falando de milhões para que a indústria reduza suas emissões de gases e melhorar o sistema de observação meteorológica não é tão caro’’, protestou Al Ghanem.
A dificulade é que os Estados não consideram os institutos meteorológicos um serviço público, assinalou. Mas a necessidade de poder fazer prognósticos ‘‘cientificamente corretos’’ para enfrentar as mudanças do clima que se avizinham é imperiosa, concluiu o porta-voz.

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