Especialistas prevêem déficit comercial de US$ 2 bi
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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Angela Bittencourt e Denise Neumann 
São Paulo, 09 (AE) - O Brasil pode encerrar o ano com déficit na balança comercial. A LCA Consultores projeta saldo negativo de US$ 1 bilhão e a Tendências Consultoria Integrada, de US$ 2 bilhões, após rever os cálculos. O governo projeta um saldo positivo.
A LCA Consultores avalia que o déficit de US$ 181 milhões em agosto foi uma nova decepção. Na avaliação de Fernando Camargo, economista da LCA, um fator adverso é o dramático aprofundamento da recessão nos países vizinhos. Camargo alerta que as importações também não cederam como esperado, em decorrência da maior pressão do preço do petróleo e das matérias-primas, especialmente do setor petroquímico.
Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências, diz que a projeção para a balança comercial deste ano foi revista para um déficit de US$ 2 bilhões. Entre as razões estão as importações de bens de-capital e os gastos mais altos com as importações de petróleo.
Roberto Gianetti da Fonseca, da Silex Trading e também diretor da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), concorda que a possibilidade de déficit na balança comercial este ano existe.
O saldo, diz, pode ficar entre US$ 1 bilhão positivo e US$ 1 bilhão negativo. Entre as razões para o comportamento ruim no segundo semestre - que ficou abaixo do esperado em julho e agosto - está a recessão na América Latina. "As exportações brasileiras para esta região caíram 30%", diz ele.
Os exportadores dizem que a mudança nas regras do Cadastro de Inadimplentes (Cadin), uma espécie de Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) das empresas, pode aumentar o número de empresas exportadoras.
Nova regra - A alteração das regras foi anunciada quarta-feira pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Empresas inscritas no Cadin não podem habilitar-se a receber nenhuma linha de crédito destinada à exportação e também não recebem registro para exportar.
Regras mais flexíveis podem trazer um ganho duplo para o governo, diz Fonseca. Se essas companhias tiverem acesso ao crédito para vender no exterior, vão ganhar receita para até saldar seus débitos com o fisco, avalia.
Michel Alaby, vice-presidente da Associação das Empresas Brasileiras para a Integração do Mercosul (Adebim), observa que muitas empresas estão contestando algum imposto cobrado pela União e por isso estão inscritas no Cadin. "Se essas empresas forem autorizadas a vender no exterior enquanto discutem suas dívidas fiscais, isso vai ajudar a aumentar as exportações", argumenta.


