Estocolmo- As mulheres dos países pobres frequentemente fazem uma gestão melhor dos recursos hídricos e deveriam, portanto, desempenhar um papel maior na criação de políticas para garantir o acesso a serviços sanitários e de água potável, declararam ontem especialistas que participam da Semana Mundial da Água, em Estocolmo.
As mulheres precisam estar mais envolvidas nas políticas hídricas ''porque são elas que se importam. São elas as responsáveis por buscar a água'', disse Marcia Brewster, do Departamento das Nações Unidas de Assuntos Econômicos e Sociais, à margem de um seminário sobre a influência do gênero na gestão da água.
Um estudo realizado pelo Centro Internacional de Água e Saneamento em 88 comunidades de 15 países descobriu que os projetos desenvolvidos e administrados com total envolvimento das mulheres eram mais sustentáveis e eficazes do que os que não contavam com ativa participação feminina.
Devido a que as mulheres com frequência são as encarregadas de buscar a água, elas têm um conhecimento considerável sobre recursos hídricos, inclusive localização, qualidade e métodos de armazenamento, destacou. Como resultado, ''elas tendem a ter soluções mais práticas'', comentou Meena Bilgi, uma consultora de desenvolvimento de gênero na Índia.
''Também, é mais fácil para as mulheres (do que para os homens) falar com as mulheres da cidade sobre suas necessidades. Elas podem, então, trazer estas experiências (para o nível da criação de políticas). Mas as mulheres não são representadas no setor de criação de políticas'', disse.
Segundo as Nações Unidas, ao fim de 2004, 1,1 bilhão de pessoas (18% da população mundial) perdeu acesso à água potável segura, enquanto 2,6 bilhões (40% da população) perderam acesso a serviços sanitários implementados.
No fim de 2005, de acordo com números da ONU, havia 40 mulheres ministras da água ou do Meio Ambiente representando todo o mundo.
Enquanto os delegados exaltaram o progresso feito na área, muitos disseram que este avanço é muito lento. ''Não acontece com o alcance que gostaríamos de ver'', disse aos delegados Sara Ahmed, da Aliança do Gênero e da Água.
''Os governos mundiais precisam trabalhar mais seriamente nisto. O trabalho de gênero é cronicamente mal financiado'', disse Ethne Davey, do Departamento de Questões da Água e Florestas da África do Sul.
Os delegados disseram que para implementar a situação, as organizações de mulheres precisam pressionar seus governos para criar estruturas de gestão de água, os homens precisam ser sensibilizados sobre questões de gênero e os governos precisam se manter responsáveis pelo progresso.

mockup