Especialistas ensinam a aplicar fortuna
Dimitri do Valle
e Agência Estado
De Curitiba
Aplicar os R$ 60 milhões da Mega Sena pode ser mais difícil do que parece. Exigirá por parte do milionário cuidado com o atual momento econômico do Brasil. Não gaste muito, invista, aconselha o corretor de valores Ricardo de Moraes Filho. Ele justifica que ao poupar, o dono da fortuna terá a oportunidade de ganhar dividendos com a atual taxa de juros no País, que é de 19% ao ano.
Quem pensou que a poupança seria uma boa fonte de rendimento, se enganou. O corretor recomenda que 60% do que o apostador ganhar seja destinado aos fundos de investimentos de renda fixa conservadores. Outros 20% seriam destinados na compra de ações de empresas nas bolsas de valores. O restante da bolada iria para fundos derivativos. Essas formas de investimento, segundo Moraes Filho, são mais rentáveis do que a poupança. Quem insistir na tradicional caderneta corre o risco de deixar de ganhar 30% do que poderia faturar com as outras formas de investimento.
O prêmio acumulado da Mega Sena rendeu durante a semana discussões e teses no Departamento de Estatística da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. O professor Paulo Afonso Bracarense Costa e o aluno Juliano Armstrong Arnosti estimam que, a cada concurso, existe uma grande tendência de números abaixo de 30 aparecerem com maior frequência. Muitas pessoas costumam apostar em um dia ou mês de aniversário e em números equivalentes aos grupos do jogo do bicho, de 1 a 25, analisam.
Os cálculos feitos pelos estatísticos indicam que a chance do prêmio acumular novamente é de 5%. A probabilidade de apenas um apostador levar os R$ 60 milhões para casa está em torno de 15% e o mais provável é que hajam dois ou três ganhadores. Bracarense e Arnosti sugerem ao apostador concentrar as apostas em dezenas acima de 30, já que existe uma tendência natural destes números terem menor preferência do que os demais.
Na área de loterias de Caixa Econômica Federal, a experiência mostra que, mesmo para prêmios menores, os ganhadores demoram em média três meses para começar a ter a noção exata do valor e do poder de compra dos milhões. Para ajudar os felizardos, a Caixa mantém uma equipe de técnicos de prontidão, que presta consultoria gratuita.
A primeira orientação é adquirir um Plano de Previdência, que irá garantir o futuro do ganhador contra qualquer eventualidade. Se o cliente aplicar apenas 2% do prêmio de R$ 60 milhões (ou R$ 1,2 milhão) num plano de previdência como o FederalPrev, da seguradora Sasse-Caixa, estará garantindo uma renda vitalícia de aproximadamente R$ 15 mil mensais, daqui a 10 anos, de acordo com simulações de mercado.
Dependendo do perfil do ganhador, ele poderá optar por dois tipos de aplicação: um mais conservador, outro mais agressivo. Num plano conservador, 70% do dinheiro poderia ser aplicado em Caderneta de Poupança ou Letras Hipotecárias e 30% em Fundos de Investimentos com liquidez diária (como o Caixa FIF, Caixa FAC e Caixa CL). Já no primeiro mês, a rentabilidade atingiria R$ 600 mil
Caso o ganhador pretenda um plano um pouco mais agressivo, poderá aplicar em Caderneta de Poupança ou Letras Hipotecárias (20%), Certificados de Depósito Bancário CDB pós CDI (50%) e Fundos de Investimentos com liquidez diária (30%). A rentabilidade líquida neste caso seria de 1,0906% do capital inicialmente aplicado já no primeiro mês, ou R$ 655 mil, livres de Imposto de Renda e IOF.Corretor de valores, Caixa, professor e aluno da UFPR dão dicas sobre como os possíveis milionários devem agir para não perder dinheiro
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