Manifestações exaltadas contra os ataques da Otan à Sérvia têm acontecido do lado de fora de embaixadas norte-americanas na Europa e na Rússia. Uma bomba que explodiu fora de uma loja que vendia computadores Apple em Atenas pode ter sido a primeira ação contra um negócio norte-americano, o que levou o embaixador dos Estados Unidos Nicholas Burns a pedir aos oficiais gregos que aumentem a segurança em pontos de interesse norte-americano.
"A América é vista por todo mundo como o extremo demagogo capitalista", disse Fred Rustmann, um ex-agente da CIA e agora presidente da CTC International Group Inc., uma firma de consultoria em segurança de West Palm Beach, na Flórida. "Agora a América é o alvo número 1. Se eles não puderem atingir uma embaixada, tentarão atacar outra coisa que seja reconhecida, como um McDonalds", disse.
O chefe de segurança de uma grande corporação dos Estados Unidos que tem muitos executivos viajando para o exterior afirmou: "Mandei uma carta para nosso departamento de viagens avisando para que aqueles que forem viajar tomem cuidado. Temos uma situação no mundo na qual certos grupos estão olhando com muita raiva para as nações membros da Otan".
William Daly, diretor-gerente de outra firma de segurança, a Kroll Associates, disse que um prolongado conflito na Iugoslávia pode resultar em ameaças ou violência contra instalações governamentais dos Estados Unidos e negócios no exterior. Para alguns executivos, viagens ao estrangeiro agora rotineiramente envolvem checar com a embaixada americana e tomar nota de sua localização, assim como da localização de instalações médicas e agências locais de reforço legal.
A maioria das preocupações hoje são focadas em sequestros, roubos e protestos políticos, de acordo com Strang. Segundo ele, antes do conflito na Iugoslávia, os cidadãos norte-americanos estavam sendo alvo de grupos descontentes com o bombardeio ao Iraque.
Van Giesen, vice-presidente do escritório de Londres de sua firma, disse que o envio de tropas terrestres da Otan à província iugoslava do Kosovo, como alguns estão aconselhando, pode colocar os Estados Unidos ainda mais "no centro das atenções" e aumentar o sentimento anti-americano. Firmas como a Strang Hayes, que tem 300 empregados em 50 países, ajudam a prover segurança revendo o itinerário de um executivo no exterior com antecipação após consultar a polícia e oficiais do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Geralmente uma companhia irá tentar descobrir se um grupo terrorista incluiu seu pessoal em uma lista de "alvos". E algumas vezes firmas como a Strang Hayes e a CTC são chamadas para ajudar a retirar um executivo de um país com problemas. "Estamos no negócio de prevenção, mas algumas vezes temos que responder", disse Strang.
Executivos que precisem de um agente de segurança para viajar com eles geralmente irão convidar Thomas Petro, um veterano do Serviço Secreto norte-americano e agora vice-presidente da Strang Hayes. Petro disse que procura proteger seu cliente em "360 graus", estabelecendo círculos concêntricos, ou perímetros de defesa. Dentro do primeiro e mais estreito círculo está o cliente; fora dele há mediadores como guardas ou pessoas em um salão. Em um restaurante estes mediadores podem ser um grupo de mesas, disse Petro.
Rustmann diz que algumas firmas norte-americanas com operações no exterior fazem planejamentos prévios para evacuar empregados em caso de problemas. Tais precauções podem envolver reservas secretas de dinheiro, armas, veículos, comida, água e uma mapeada rota de fuga.
O chefe da segurança de uma corporação que mandou uma carta de aviso para sua firma há poucas semanas disse que uma chave para ficar seguro é ser imperceptível. O executivo, cuja área de atuação é na segurança de aeroportos domésticos e internacionais, disse que pessoas de negócios são mais vulneráveis quando vão ou voltam de aeroportos. "Com muita frequência algumas pessoas de negócios insistem em andar de limosine - aí é quando eles chamam a atenção", afirmou. Rustmann concorda. "Mantenha a discrição. Esta é a regra número 1", aconselhou.por Aleksandrs Rozens, da REUTERS (assinatura obrigatória) NOVA YORK (AE-REUTERS) - Michael Van Giesen costumava fornecer segurança para a realeza britânica. Agora ele vende seus serviços para executivos americanos que viajam ao exterior - e graças ao conflito na Iugoslávia, os negócios nunca estiveram melhor. Van Giesen espera que os ataques aéreos da Otan à Iugoslávia aumentem a já considerável demanda por seus serviços. "Este tem sido um assunto corrente nos últimos dois anos", disse seu chefe, Robert Strang, líder da Strang Hayes Consulting, firma nova-iorquina especializada em segurança. "Muitos membros de companhias não requerem seguranças para viajar com eles, mas as pessoas estão muito mais apreensivas em relação a viagens internacionais e segurança", disse Strang.

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