Especialistas em Cancerologia mais que dobram em três anos
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domingo, 27 de março de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
De acordo com o estudo Demografia Médica no Brasil 2015, o mais recente mapeamento da medicina no País, elaborado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), entre 2011 e 2014, o total de títulos de especialistas no País cresceu 60%, passando de 204,5 mil para 329 mil. Das 53 especialidades médicas reconhecidas pelo CFM, seis delas concentram quase metade dos profissionais. A Clínica Médica, com 35.060 profissionais, lidera com 10,6% do total. Em seguida aparecem Pediatria (10,5%); Cirurgia Geral (8,8%); Ginecologia e Obstetrícia (8,6%); Anestesiologia (6,3%) e Cardiologia (4%).
Enquanto as especialidades já consolidadas mantiveram a maioria dos títulos, outras registraram avanços expressivos. Quinze delas tiveram o número de profissionais dobrado nos três anos analisados. Entre elas está a Cancerologia. De 2011 a 2014, o aumento percentual foi de 134,7%, de 1.457 para 3.419 profissionais. De acordo com dados mais recentes da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC), em 2015, o crescimento foi 75% em relação ao ano anterior. Segundo a SBC, a demanda explica este aumento. A previsão do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é que, somente neste ano, 600 mil novos casos da doença deverão ser registrados, sendo cerca de 295,2 mil homens e 300,8 mil mulheres.
Diante deste cenário, o presidente da SBC, Robson de Moura, explica que questões como prevenção e detecção precoce se tornam primordiais, principalmente quando se considera que cerca de 85% dos cânceres são potencialmente evitáveis. "A Cancerologia se torna uma especialidade cada vez mais robusta, essencial, complexa e séria dentro da medicina. A arte de cuidar se transforma em algo muito mais abrangente do que apenas diagnosticar e tratar a doença", ressalta.
Moura explica que o cancerologista, além de ser especializado no estudo dos tumores, de como eles se desenvolvem no organismo, também está apto a prestar todo o apoio emocional e psíquico ao paciente e a seus familiares. "O título de especialista é de extrema importância por auxiliar na definição de novos padrões de conduta na carreira médica, além de ser um reconhecimento pelo mercado de trabalho como um atestado de alta qualificação."
No Paraná, existem 317 cancerologistas cadastrados ao Conselho Regional de Medicina (CRM). De acordo com a Associação Médica do Paraná (AMP), no exame de 2015, que selecionou médicos residentes para os principais hospitais do Estado, a concorrência média para a Cancerologia foi de oito candidatos por vaga. A especialidade é oferecida no Hospital de Clínicas de Curitiba, Hospital do Câncer de Londrina, Hospital Evangélico do Paraná, Santa Casa de Ponta Grossa, Hospital Erasto Gaetner e Hospital do Câncer de Cascavel.



