Especialistas dos EUA descartam intervenção na Colômbia
Washington, 24 (AE-AP) - É até possível que grupos guerrilheiros esquerdistas colombianos consigam "uma vitória decisiva", mas os Estados Unidos não intervirão militarmente no conflito, segundo um estudo de especialistas divulgado hoje (24).
"Apesar de esperarmos o melhor, seria prudente nos preparar para o pior: a possibilidade de a Colômbia deixar o mundo civilizado para tornar-se uma espécie de estado discordante no concerto mundial", afirmou-se no estudo preparado por Mark Falcoff, especialista do America Enteprise Institute (AEI).
O documento foi elaborado pelo AEI para as Investigações de Assuntos Públicos. O jornal The Washington Post divulgou no início do mês que uma pesquisa indicava que o AEI é um dos três centros de estudo desta capital que mais exercem influência no Congresso americano.
O presidente Bill Clinton está analisando com líderes parlamentares formas de se ajudar o presidente colombiano, Andrés Pastrana, a superar a situação.
O subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, Thomas R. Pickering, disse depois de consultar feitas na Colômbia que via as coisas "com sobriedade, mas não com pânico".
Falcoff afirmou que existem quatro possíveis desenlaces da crise nesse país que serão determinados pelo curso dos acontecimentos, mas ele assinalou que "o que podemos estar razoavelmente seguros é que o que nunca ocorrerá é uma intervenção militar direta dos Estados Unidos".
Falcoff disse que "o melhor dos casos seria a assistência extra que se contempla permitir ao exército nacional preparar-se para dispersar as guerrilhas ou permitir que o governo colombiano negocie com elas a partir de uma posição favorável. Lamentavelmente, esta saída não é muito provável no presente".
A segunda possibilidade "é mais do mesmo: a manutenção das conversações em meio à luta e ao derramamento de sangue indefinidamente".
A terceira, "é o colapso das negociações de paz, caindo-se numa completa guerra civil na qual não haveria vencedores, e sim uma partição do país com o governo, as guerrilhas e os paramilitares controlando diversos encraves de uma modo quase permanente".
Falcoff afirmou que "finalmente existe a possibilidade remota de uma decisiva vitória rebelde, com as classes governante e empresarial (e tanto quanto possível a classe média) fugindo para a Europa, Estados Unidos ou o resto da América Latina. Neste caso, a Colômbia ofereceria um novo tipo de esquerdismo à cena política internacional: um regime narco-revolucionário".





