Especialistas do MEC reprovam 248 livros didáticos15/Mar, 20:06 Por Demétrio Weber Brasília, 15 (AE) - Quase metade dos livros didáticos da 1.ª à 4.ª série avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) foram reprovados e excluídos da lista de compra do governo. Experimentos que põem em risco a vida dos estudantes e erros metodológicos, conceituais ou de informação levaram ao corte de 248 (43,5%) dos 569 títulos analisados. Em relação às avaliações anteriores, no entanto, o resultado melhorou. Técnicos do MEC consideraram que uma experiência citada no livro "Vamos Aprender - 4.ª série", de Plínio Carvalho Lopes (Editora Saraiva), "coloca os alunos sob elevado risco de vida, uma vez que apresenta montagem experimental que, caso venha a ser realizada pelos alunos, poderá levar à morte por eletrocussão". A experiência mostra uma pipa sendo empinada com fio metálico de modo a captar raios. No livro "Eu e o Mundo - Uma Proposta Construtivista - 3ª série", de Ernesto Jacob Keim (Editora FTD), o autor propõe numa lição que os estudantes fervam frascos de vidro de penicilina. Segundo o coordenador da avaliação na área de ciências, Nelio Bizzo, o livro deveria alertar que a legislação brasileira proíbe a reutilização de frascos de penicilina, para "evitar que alunos peguem em farmácias frascos já utilizados, com risco de contaminação de hepatite e aids". Em outro livro de Keim, destinado à 4.ª série, uma experiência de análise cromática propõe a queima de enxofre, mercúrio e iodo metálico, o que pode causar cegueira, problemas respiratórios ou de acúmulo de metais pesados no organismo. "Não são aceitos livros que exponham a riscos a integridade física dos alunos", afirmou Bizzo. A avaliação excluiu também o livro "Ciências da Escola para a Vida" (Editora Lê), que traz erro de ilustração, segundo Bizzo, ao representar uma glândula sudorípara, que não é vista a olho nu, do tamanho de uma batata. Dos 98 títulos de ciências analisados, 18 foram excluídos do Guia de Livros Didáticos 2000-2001 divulgado hoje pelo MEC, que vai orientar as compras do governo federal no ano que vem. Na área de estudos sociais, a recordista de reprovações, foram cortados 88 dos 156 títulos avaliados. Um deles é "Gente do Rio, Rio da Gente - 3.ª série", de Marília Bacellar, Eliana Caboclo, José Silveira e Irene Barcelos (Editora do Brasil), reprovado por usar estereótipos do tipo "ser carioca é gostar de samba, futebol e praia".

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