Especialistas dizem que programa é solução temporária
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quarta-feira, 04 de setembro de 2013
Cláudia Collucci<br>Folhapress 
São Paulo - Uma solução paliativa e temporária para problemas crônicos e estruturais. Foi assim que especialistas reunidos ontem no Instituto de Estudos Avançados (IEA) definiram o Programa Mais Médicos, do governo federal. "Não vivemos uma emergência. Vivemos um problema crônico. Essa discussão mascara a verdade, que é como implantar um sistema de saúde no Brasil", afirmou Milton Arruda Martins, professor titular de clínica médica da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, a saúde no Brasil envolve múltiplas facetas, de falta de recursos às iniquidades regionais, e não deve ser vista mais de forma fragmentada pelo governo e pela sociedade.
"O caráter compulsório e temporário do programa irá esgotar rapidamente essa estratégia", disse Mário César Scheffer, professor do Departamento de Medicina Preventiva da USP e integrante do do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde. O biólogo Fernando Reinach, ex-professor da USP, acrescentou: "Os médicos foram contratados para ficar três anos. E depois?" "As bolsas foram criadas para educar as pessoas, não para efetuar pagamentos de serviços profissionais."
O cardiologista Adib Jatene, ex-ministro da Saúde, pontuou que há décadas acompanha o problema da saúde e está convencido de que a questão é eminentemente financeira. "Não podemos politizar o problema." E defendeu a reforma do ensino médico como "prioridade absoluta". Paulo Hilário Saldiva, professor do Departamento de Patologia da USP, lembrou que há um distanciamento entre as decisões do governo e às reais necessidades da população brasileira. "O pessoal que vive no andar de cima, que usa o Sírio-Libanês, não vive a realidade da maioria dos brasileiros."
O ministro Alexandre Padilha (Saúde) fez ontem o discurso mais político em defesa do Mais Médicos desde o lançamento do programa, em 8 de julho. No plenário da Câmara dos Deputados, Padilha defendeu a vinda dos médicos cubanos, disse que não pretende trazer com eles o modelo econômico e social da ilha, e lembrou que partidos da oposição tentaram medida semelhante no passado.


