Especialistas discutem formas de salvar o mico-leão
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segunda-feira, 27 de maio de 2002
Rosana Félix Equipe da Folha 
Paranaguá - Vinte e sete especialistas do Brasil e do exterior estão reunidos em Paranaguá, Litoral do Paraná, para definir estratégias para livrar o mico-leão-dourado de risco de extinção. O principal problema que está sendo discutido na 12ª reunião do Comitê Internacional para Recuperação e Manejo dos Mico-leões é a devastação da Mata Atlântica, habitat natural do animal.
De acordo com o diretor da organização não-governamental Ipê, Cláudio Pádua, o mico-leão está em risco altamente crítico de extinção. A Mata Atlântica brasileira abriga as quatro únicas espécies do gênero. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), gestor do comitê, a população do mico-leão-dourado, natural do Rio de Janeiro, é de mil indivíduos; a do mico-leão-da-cara-dourada, da Bahia, é de 6 mil a 15 mil; a do mico-leão-preto, de São Paulo, é de cerca de mil; a do mico-leão-de-cara-preta, do Paraná, é em torno de 400. Para termos uma população viável, é preciso haver 500 indivíduos reprodutores. Não adianta ter 2 mil micos mas só 200 se reproduzindo, explicou Pádua.
Paranaguá foi escolhida para sediar a reunião do comitê, que começou ontem e termina amanhã, por estar bem próxima ao Parque Nacional do Superagui, onde os participantes do encontro farão uma visita para conhecer a situação do mico-leão-da-cara-preta in loco. A ong Ipê realiza no parque há cinco anos projetos de pesquisa dessa espécie, que foi descoberta há apenas 12 anos. Levantamos a área que eles usam, do que se alimentam e monitoramos o crescimento populacional e se estão com saúde genética, relatou Pádua. Segundo ele, é importante o monitoramento para evitar que micos parentes entre si se reproduzam.
A Mata Atlântica brasileira tem hoje apenas 7% do seu território original. Para a gerente do Parque Nacional do Superagui, Guadalupe Vivekasanda, a preservação da floresta é fundamental não só para o manejo do mico-leão, mas para toda a pesquisa científica. Se foi descoberto um primata há apenas 12 anos, imagine a quantidade de plantas e animais menores que ainda existem para serem descobertos, observou. O mico-leão é como uma espécie bandeira. Entendendo o que está acontecendo com ele, podemos entender o que está acontecendo com muitas outras espécies, acrescentou a diretora da ong norte-americana WWF (Fundo Mundial para a Natureza), Lou Ann Dietz. Segundo ela, a área de mata atlântica no Parque do Superagui é uma das mais extensas de floresta sem fragmentação. Temos que manter esse território intacto, ressaltou.


