A psicóloga Suzana Buker e o psiquiatra José Elias Aiex Neto, ex-membro dos conselhos estadual e federal de entorpecentes, defendem a tese de que o usuário de drogas é um doente, um toxicômano e não acreditam que a conversão religiosa é essencial para a recuperação.
Para Aiex, o maior problema é que os centros evangélicos não possuem técnicos para ajudar no tratamento. ‘‘O doente não pode ser convertido. Ele precisa ser curado’’, afirma.
Psicólogos e psiquiatras que condenam as clínicas evangélicas dizem que a religião em excesso pode dar a falsa idéia de que tudo será fácil e, numa possível recaída, o viciado acaba culpando Deus. Para Aiex, o apoio espiritual é importante mas, se for em excesso, acaba atrapalhando a recuperação.
Marcelo Moura, coordenador do Projeto Vida, um dos estabelecimentos administrados por evangélicos, diz que a ajuda de profissionais é descartada. ‘‘Cheguei a fazer sessões de terapia com uma psicóloga, mas não adiantava. Eu cheirava cocaína no banheiro dela e ela nunca imaginava’’, conta.
Outro exemplo de clínicas religiosa é a Associação Maranata, montada pelo ex-traficante de drogas e ex-membro da Falange Vermelha no Rio de Janeiro, Renato Mac-Cormick. Aos 15 anos, ele já vendia drogas e comandava a Falange.
Quando perambulava pelas ruas do Rio em busca de cocaína, Renato foi convidado por uma recepcionista para entrar em uma igreja evangélica. ‘‘Entrei e gostei’’, diz.
Meses depois, já convertido, Renato deixou o vício e resolveu se dedicar a palestras em centros de recuperação de usuários de drogas. Hoje, a recepcionista que o convidou para entrar na igreja, Shirley, é sua esposa. Em 1994, o casal mudou-se para Foz, onde montou a Associação Maranata, que atende cerca de 30 pessoas em estágio de recuperação.
Todos os centros e clínicas de Foz estão instalados em chácaras. Logo pela manhã, com exceção do Ancoradouro, os internos se dedicam à oração. O restante do dia é reservado para terapia ocupacional.

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