Especialistas destacam importância do diálogo
Londrina - Um dia depois da tragédia no Rio de Janeiro, o massacre de estudantes cariocas era um dos principais assuntos entre os estudantes londrinenses. Jovens ouvidos pela reportagem disseram, porém, que não acreditam que um episódio semelhante possa ocorrer por aqui.
No Colégio Estadual Vicente Rijo, no Centro, os adolescentes disseram ter discutido o assunto com os professores, mas de forma breve e sem que o tema fizesse parte do conteúdo didático. Questionados se tiveram medo de ir para a escola, eles negaram. Ainda assim, uma turma do segundo ano do ensino médio preferiu trancar a porta da sala de aula.
Duas estudantes de 15 anos do Vicente Rijo contaram que os pais sempre conversam sobre a violência e dão conselhos. ''Meu pai sempre fala para eu tomar cuidado com as companhias, não beber coisas de estranhos, ver bem onde eu vou e se ninguém está me seguindo'', relatou uma das jovens. ''Acho certo eles falarem essas coisas, precisamos mesmo tomar cuidado com as pessoas'', completou a outra.
Uma aluna de 16 anos do Colégio Hugo Simas conta que lá as portas ficam trancadas durante as aulas. ''Só conseguimos abrir pelo lado de dentro, ou com a chave pelo lado de fora. Não sei o motivo, mas ficamos mais seguros assim'', disse. Procurada pela reportagem, a instituição não confirmou a informação da aluna.
De acordo com o psicopedagogo Ailton Bastos, os pais e professores precisam ficar atentos para abordar o episódio com os jovens. ''O mais importante é deixar que expressem seus sentimentos relacionados ao assunto'', ensinou. Segundo ele, todos os brasileiros ficaram marcados pela tragédia. Mesmo assim, pais e professores não devem blindar o assunto. ''Às vezes os pais pensam que estão protegendo o filho fazendo isso, mas não é verdade. É importante iniciar uma conversa, talvez utilizando uma notícia na televisão'', afirmou.
A professora de psicopedagogia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Rosa Maria Junqueira, reforçou a importância do diálogo. ''Quando ocorre o diálogo, o acontecimento passa do plano concreto para o simbólico. A tragédia passa a ter outro significado menos aterrorizador'', comentou.(Davi Baldussi e Érika Gonçalves/Reportagem Local)





