Londrina - A morte de três pacientes que fizeram ressonância magnética em um hospital particular de Campinas, interior de São Paulo, levantou a discussão sobre a utilidade e os riscos do exame. Profissionais da área de saúde consultados pela reportagem garantiram que o procedimento é confiável e recomendado em diversas situações.
A ressonância reproduz imagens de grande resolução de qualquer parte interna do corpo humano. A imagem demonstra com precisão lesões muito pequenas, com qualidade e em menor tempo. É um procedimento indolor e, conforme médicos, não é prejudicial à saúde. "A ressonância tem uma eficácia muito grande. Alguns diagnósticos são possíveis apenas através do exame de imagem", explica o ortopedista Rodrigo Medeiros, de Londrina.
Para o neurologista Flávio Henrique Bobroff, também de Londrina, o procedimento só não deve ser usado em casos bastante específicos. "Pacientes com marcapassos ou que sofreram aneurisma e implantaram clipes metálicos, ou ainda para pessoas com prótese metálica, não é indicado o exame", ressalta.
Em muitos exames de ressonância magnética é necessário o uso de contraste. A aplicação de uma injeção intravenosa aumenta a eficácia do procedimento e permite ao médico um diagnóstico mais preciso. "O contraste consegue mostrar de uma forma mais clara onde está a lesão e o tipo de tecido que se está procurando. Ele entra na corrente sanguínea e fica na lesão por mais tempo e com mais intensidade", esclarece Medeiros.
É justamente o uso do contraste uma das possíveis causas das mortes dos pacientes paulistas. A Secretaria de Saúde de Campinas praticamente descartou a reação alérgica como causa das mortes. Por isso, a investigação trabalha agora com a hipótese de erro humano.
"É um produto químico e até pode reagir com o organismo de algum paciente que tem alergia e não sabia e que usou pela primeira vez o contraste. Mas é muito raro. Eu mesmo nunca tive nenhum problema com meus pacientes. A ressonância é um exame totalmente seguro", garante Medeiros.
O contraste é mais usado em ressonâncias para identificação de infecções, tumores e artrites. Em lesões esportivas, como rompimento do ligamento do joelho ou contusão de menisco, não é necessário o uso do produto químico.
Segundo Rodrigo Medeiros, depois das notícias das mortes em Campinas houve questionamentos por parte dos pacientes. Nenhum deles, no entanto, deixou de se submeter ao procedimento. "É importante passar tranquilidade ao paciente, informar todos os detalhes do exame e mostrar a importância da ressonância para a resolução do problema." Para Bobroff, o receio dos pacientes é normal. "Mas quando o exame é bem indicado e feito em clínicas estruturadas, não há problema."
A ressonância magnética detectou de forma precisa o problema na virilha do encarregado de departamento pessoal Rodrigo Teixeira de Souza, de 25 anos. "Depois do resultado do exame comecei a tratar de forma correta e resolvi a lesão", conta. Ele garante que não teve nenhuma reação ao exame. "Senti apenas um pouco de frio dentro do equipamento. No meu caso foi tranquilo e não teria problema se precisasse fazer novamente. Acredito que quando o exame é feito da forma correta não há nenhum problema nem complicação", opina Souza.
Na quinta-feira, um policial militar, de 52 anos, de Guaratinguetá, interior de São Paulo, passou mal após realizar uma ressonância magnética com uso de contraste no abdômen. Ele foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Frei Galvão e o estado de saúde dele era estável.(Com Agência Estado)

Leia a reportagem completa em conteúdo exclusivo para assinantes da FOLHA.

- Laboratório suspende uso de contraste

mockup