Nove entre 11 especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo defendem a desmilitarização da polícia e sua unificação em uma única entidade, de natureza civil. Essa nova polícia teria a função de fazer o policiamento ostensivo e preventivo, além de realizar investigações e inquéritos. Atualmente, essas duas funções são divididas entre a PM (Polícia Militar) e a Polícia Civil. A primeira faz o policiamento ostensivo e preventivo e a segunda cuida da parte investigativa.
Com a desmilitarização, a PM deixaria de cumprir essas funções. O policiamento ostensivo e preventivo passaria a ser realizado por um segmento armado e uniformizado da Polícia Civil. Na opinião dos especialistas, as palavras militar e polícia são incompatíveis. Segundo eles, os militares têm treinamento que não é adequado ao policiamento - atividade eminentemente civil. A PM fica em quartéis, tem hierarquia militar e recebe treinamento para a guerra, pelo qual o objetivo é eliminar o inimigo. É um pequeno exército estadual. Não é à toa que a PM é classificada pela Constituição como força auxiliar e reserva do Exército.
Essas características, segundo especialistas, distanciam a corporação do cidadão e fazem com que os policiais militares, muitas vezes, tenham truculência excessiva. ‘‘Por que militarizar algo que é civil?’’, pergunta o advogado José Carlos Dias, ex-secretário da Justiça de São Paulo.
A desmilitarização também é defendida com a tese de que dará maior racionalidade à atividade policial. A atual divisão entre a PM e Polícia Civil provoca rivalidade entre as duas corporações. Esse é o principal argumento do secretário da Segurança Pública de São Paulo, José Afonso da Silva, para defender a emenda constitucional de sua autoria que unifica as polícias. Segundo ele, a Constituição institucionalizou uma duplicidade policial ‘‘que não funciona, em razão do desentrosamento entre os dois organismos policiais’’. O projeto de Silva, defendido pelo governador Mário Covas, mantém a PM, com atribuições e efetivo reduzidos.
José Carlos Dias defende o fim da PM. A Polícia Civil teria um segmento treinado para agir contra a perturbação da ordem. O fim da PM é apoiado pelo deputado Hélio Bicudo (PT-SP) e por Paulo Sérgio Pinheiro, do Núcleo de Estudos da Violência da USP. O professor de teoria geral do Estado da USP Dalmo Dallari é a favor da desmilitarização, mas com duas polícias de caráter civil: uma para o policiamento ostensivo, outra para a investigação.

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