Especialistas debatem proteção contra descargas
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Especialistas da área de vários países, reunidos em Curitiba no Simpósio Internacional de Proteção contra Descargas Elétricas, passaram a semana debatendo temas relacionados às descargas, entre eles problemas ocasionados por raios e as melhores formas de soluções.
Os meteorologistas do Instituto de Meteorologia Simepar confirmaram que na terça-feira ocorreu chuva e concentração de raios ao longo das três linhas de transmissão que levavam a energia da Unsina de Itaipu em direção ao Sudeste, e que teriam desligado com o temporal, provocando o apagão. Mas, segundo o meteorologista Cezar Duquia, tratava-se de um dia de chuva normal de verão, sem grande intensidade e bem mais fraca, por exemplo, do temporal que ocorreu no oeste do estado recentemente. Dizer que um raio foi responsável pelo que aconteceu, nós não podemos dizer, só quem é responsável pela operação do sistema elétrico pode saber, disse.
O professor Alexandre Piantini, do instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do seminário, afirmou ser muito raro um raio provocar um apagão. De longa duração só quando queima um transformador , por exemplo, ou ocorre algo mais grave.
De acordo com ele, existem várias técnicas para proteger o sistema elétrico, seja na distribuição ou transmissão, em relação aos raios. A cada técnica está associado um custo diferente, é uma questão de custo/beneficio, afirmou. Linhas subterrâneas diminuiriam o número de acidentes e interrupções, mas os custos são proibitivos. Por causa disso, em todos os países, as linhas subterrâneas são adotadas apenas em algumas circunstâncias, como, por exemplo, no centros de grandes cidades que são mais densamente povoados.
No Brasil, a situação é ainda mais complicada devido ao tamanho do país e ao fato de que a maioria das matrizes energéticas são usinas hidrelétricas situadas distantes dos centros onde a energia será distribuída. Como exemplo, citou as usinas que estão sendo contruídas no Norte do país e cuja energia será levada para as regiões Sul e Sudeste.
O Brasil é caracterizado por linhas de transmissão muito longas e o território recebe grande incidência de raios. São em torno de 50 a 60 milhões de raios por ano. Não tem como evitar, as linhas vão ser atingidas por raios. O que dá para fazer é proteger estas linhas de forma a diminuir os riscos. Não vai zerar, mas vai fazer com que o risco seja bem menor do que em uma linha sem proteção, avaliou.


