Especialistas criticam suspensão do rodízio estadual
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segunda-feira, 26 de abril de 1999
Por Jobson Lemos, especial para a AE 
São Paulo, 27 (AE) - A decisão do secretário de Estado do Meio Ambiente, Ricardo Tripoli, de suspender o rodízio estadual e acioná-lo apenas em situações de emergência é considerada por especialistas como uma experiência que pode não surtir nenhum efeito. De acordo com Tripoli, a operação entrará em vigor sempre que a concentração de monóxido de carbono na atmosfera for superior a 9 partes por milhão (ppm) em uma média de oito horas e as condições atmosféricas não forem propícias à dispersão de poluentes.
A população será avisada com dois dias de antecedência sobre a restrição de circulação de veículos. Se o problema ocorrer na segunda-feira, não circulam veículos com placa final 1 e 2. Se ocorrer na terça, os de final 3 e 4 estão proibidos de circular. Assim será, sucessivamente, até a sexta-feira, quando não circulariam os de placa 9 e 0. A restrição, quando decretada
vale das 7 às 20 horas na Grande São Paulo. Tripoli ainda não decidiu se haverá multa para quem desrespeitar a restrição.
Para o ex-secretário do Meio Ambiente, Fábio Feldmann, a estratégia poderá causar uma confusão muito maior entre os motoristas. Autor do projeto que instituiu o rodízio estadual, ele acredita que o governo está dispensando uma operação eficiente. "Está cometendo um equívoco".
A decisão de Tripoli baseou-se em um estudo feito por técnicos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). A qualidade dos combustíveis vendidos na Grande São Paulo, de acordo com o documento, manteve sua qualidade. A renovação da frota de veículos, porém, melhorou a emissão de poluentes pelos veículos. Em 1995, o fator médio de emissão de monóxido de carbono foi de 20,6 grama por quilômetro. Em 1998, a Cetesb estima que tenha ocorrido uma redução de 21,4% nesse valor. Feldmann discorda que isso justifique a adoção esporádica do rodízio. "Podem ter menos carros poluindo, mas há mais carros".
Para o organizador de campanhas do Greenpeace no Brasil, Délcio Rodrigues, não basta que o rodízio seja acionado apenas em caráter de emergência. "A constatação dos 9 ppm de monóxido de carbono é o resultado de problemas de alguns dias antes", disse. Feldmann acredita que não se elegeu deputado federal por causa da associação de sua imagem ao rodízio. Tripoli, porém, disse que isso não interferiu em sua decisão. "Era presidente da Assembléia Legislativa quando a operação foi aprovada e nem por isso deixei de me reeleger".
Em 1997, ele apresentou uma emenda à lei do rodízio que autorizava o governo a realizar a operação em qualquer época do ano.


