Especialistas criticam norma do MS para gestantes com HIV
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de dezembro de 2001
Agência Estado<bR>Do Rio de Janeiro 
A nova norma do Ministério da Saúde para tratar gestantes infectadas com HIV foi criticada ontem por infectologistas, durante o XII Congresso Brasileiro de Infectologia, que acontece até quinta-feira, no Rio. Segundo alguns médicos, a decisão do ministério de trocar a terapia tripla, o coquetel, pelo AZT em grávidas que ainda não apresentam sintomas da Aids é um retrocesso e ameaça elevar os casos de transmissão vertical - de mãe para filho.
O grupo do ministério que acompanha o problema rebate e diz que o uso isolado da droga é a melhor forma de reduzir a contaminação de bebês. Segundo os críticos da alteração, o uso de terapia tripla em grávidas reduz para menos de 1% as chances de contaminação dos bebês, contra os 8% com o tratamento com AZT. Com base nesses resultados positivos do coquetel, o ministério chegou a adotar o uso de três drogas, mas, em junho passado, mudou de idéia e decidiu voltar a usar o AZT.
O argumento é que as gestantes assintomáticas não precisam ser tratadas e, por isso, o coquetel não é indicado. O AZT é usado apenas para bloquear a transmissão do vírus para o bebê. ''Não é tratamento. É profilaxia. Por isso, recomendamos o AZT. Além disso, é mais fácil, mais simples e mais barato'', afirma o pediatra mineiro Jorge Andrade Pinto, um dos que participaram da produção da norma.
Professor-adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais, Pinto afirma que, como a pesquisa que calculou a eficácia do AZT foi feita em 1994, o resultado pode não refletir a realidade atual. ''O percentual pode ser bem menor do que 8%, se consideramos que hoje existem outros meios para reduzir o risco, como a cesariana.''
De acordo com especialistas, quando trata a grávida o médico não deve pensar apenas na transmissão, mas no tratamento da mulher. E o uso de monoterapia é condenado no mundo todo, por causa da baixa performance do remédio no combate ao vírus HIV. Além disso, os críticos lembram que o uso prolongado e isolado do AZT pode levar à criação de um vírus mais resistente.


